Google Glass, smartphones e o Ludismo 2.0 como tendência

Era uma vez um sujeito que estava inconformado com o avanço tecnológico de sua época e temia que estes impactos iriam destruir o modo de vida que conhecia. Então ele incitou uma campanha para frear o uso destas tecnologias e retomar a um modo de vida que considerava valorizar mais o ser humano.

Até aqui, a frase em cima serve para descrever Ned Ludd no século XVIII. Ou será que poderia descrever também alguma coisa mais atual?

No primeiro link, um bar proibiu que seus clientes adentrassem usando o Google Glass, o dispositivo que permite fazer fotos e filmagens a partir do que o usuário olha, com a câmera instalada num óculos.

Me pergunto se o bar proíbe também a entrada de gente com memória fotográfica ou retratistas forenses. Afinal, é o mesmo princípio de proteger a privacidade dos seus clientes.

A quantidade de câmeras de vigilância e exigências de cadastro com documento e foto para ingressar em prédios e em boates parece nunca ter importado. Importa agora que serão indivíduos com o poder de filmar e fotografar. Com o Google Glass. Celulares e câmeras, ah, tudo bem. O problema é você o colocar nuns óculos.

No segundo link, a coisa consegue ser tão absurda que só poderia ter vindo do sumidouro da inteligência humana: O departamento de marketing.

Uma marca de cerveja desenvolveu um porta-cerveja que promete bloquear sinal GSM e Wi-fi da mesa, permitindo assim que as pessoas não gastem seu tempo com coisas frívolas online e se dedique a diálogos profundos, tipo… Novela e futebol.

Este bloqueador é viável? Sim, plenamente: Se você tem um micro scrambler que sobreponha especificamente as faixas de frequência GSM e Wi-Fi, com uma mola indutora e uma fonte de energia movida a chifre de unicórnio, lascas da cruz de Cristo e o diploma de alfabetização do Lula, é possível bloquear estes sinais APENAS de quem está sentado à mesa.

O governo já encomendou trezentas caixas de cerveja Polar. Pretende servi-las nos presídios e nas próximas manifestações de rua, impedindo assim que o sinal de celular cause transtornos.

Ambas as atitudes se tratam obviamente de chistes, dado a preocupação hipócrita que alegam ter – afinal, tanto o bar quanto a cerveja serão beneficiadas pela ampla divulgação POR MEIOS TECNOLÓGICOS de estarem bloqueando TECNOLOGIAS.

O que preocupa é o Ludismo virando tendência.


Compartilhado originalmente na lista arqHP.

0 comentário em “Google Glass, smartphones e o Ludismo 2.0 como tendência”

  1. Irapuan Martinez

    Parem de usar tecnologia na frente de um objeto tecnológico:

    http://exame.abril.com.br/marketing/galerias/galeria-de-comerciais/maquina-da-lata-de-cerveja-a-quem-ficar-parado-por-3-minutos

    Tá virando moda: A Amstel botou uma vending machine aonde se você ficasse quieto por 3 minutos, ela te dava uma lata da breja. Não sei que tecnologia envolveu, mas um sensor do Kinect – a maior invenção depois dos Wii-mote – funcionaria muito bem.

    A proposta é mais ludismo 2.0: Você ficar parado, desconectado, voltar a um estado de calmaria. A ironia a dupla: Te incentivar a se desconetar de tecnologia para obter de um objeto tecnológico, um prêmio. E o prêmio, cerveja, foi justamente um dos primeiros produtos de manufatura que a humanidade criou que lhe permitiu acesso á hidratação potável. Antes de Pasteur, apenas o chá, a cerveja e o vinho eram líquidos confiáveis para se beber em zonas urbanas.

    Enquanto os departamentos de marketing acham que a tecnologia está acabando com a humanidade, na verdade ela está ofertando qualidade de vida séculos antes de sequer a palavra “marketing” ter sido inventada.

    Quanto a Amstel, eu preferiria beber uma cerveja dos tempos medievais do que essa água de batata rala que chamam de cerveja.

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