A importância da comunidade de UX Research — Papo Qualitativo

Como a comunidade de UX Research se organiza e desempenha um papel essencial na evolução de seus profissionais, ajudando a evoluir a cultura de pesquisa nas empresas.

Área interna ampla de um prédio, onde várias pessoas estão interagindo sentadas ou em pé, enquanto comem e tomam café.
Comunidade participando do evento UX Team Summit 2019, que foi dedicado ao tema UX Research.

No último dia 21 de agosto realizamos o segundo episódio do Papo Qualitativo com um “esquenta” para o Observe 2020 , que é a primeira conferência de UX Research do Brasil, organizado inteiramente pela comunidade. A ideia é convidar algumas pessoas que fazem parte da organização do evento, e outras que irão compartilhar conteúdo através de palestras ou workshops, para estar com a gente nos próximos episódios falando sobre pesquisa em design, além de trazer as últimas novidades sobre o evento.

Para esse primeiro esquenta, convidei a Bruna Maia (Lead UX Research no Gympass) e o Pedro Vargas (UX Researcher na Nuvemshop), ambos membros da organização do Observe 2020, para falar sobre como a comunidade de UX Research se organiza e desempenha um papel essencial na evolução de seus profissionais, ajudando a evoluir a cultura de pesquisa nas empresas.

O Papo Qualitativo tem episódios semanais, todas as sextas-feiras com transmissão ao vivo pelo Youtube e Facebook da Mergo, posteriormente sendo publicados também como podcast e transcritos aqui no blog. Todo esse material pode ser visto logo abaixo.

Bom divertimento 🙂


Para aprender e trabalhar com pesquisa em design, inscreva-se na Formação em UX Research da Mergo: mergo.com.br/formacao-ux-research


Siga o podcast no Soundcloud, Spotify, Deezer ou iTunes.

https://soundcloud.com/papoqualitativo/a-importancia-da-comunidade-de-ux-research-episodio-02

[Início da Transcrição]

Edu: Olá pessoal, tudo bem? Estamos aqui mais uma vez ao vivo com vocês, eu sou o Edu Agni, estou aqui com a Karen, que está fazendo a interpretação de libras — inclusive o meu sinal é esse aqui (faz o sinal) óculos-cabelo… para os meus alunos que deram o sinal. Estamos aqui no Papo Qualitativo, esse espaço da Mergo para a gente falar sobre pesquisa em design, então a gente está tendo nosso segundo encontro hoje, na verdade, e a gente veio falar de um assunto que eu considero de extrema importância dentro da área da pesquisa, nem só da área da pesquisa mas da área do design como um todo, que são as comunidades profissionais e a importância que elas têm na construção do conhecimento, tanto de design quanto de pesquisa em si. E pra gente fazer esse papo eu trouxe aqui dois convidados super especiais que eu já vou colocar aqui online, mas só dizendo que a gente está transmitindo ao mesmo tempo para o YouTube, para o Facebook, então quem ainda não curte nossa página no Facebook, segue lá: Mergo User Experience, no YouTube também, nosso canal tem não só esses papos aqui como tem muito conteúdo legal de vários eventos que a Mergo sempre organizou para vocês seguirem, e seguir aprendendo durante a quarentena. Então para começar aqui o nosso papo, como eu falei eu trouxe duas pessoas bem especiais aqui, a ideia desse papo é que ele não só seja um papo sobre pesquisa, mas que ele seja um esquenta para o Observe 2020, que é a primeira conferência sobre pesquisa em design sendo realizada aqui no Brasil e um evento completamente feito pela comunidade, isto é maravilhoso, e eu trouxe aqui dois profissionais que estão participando da organização do Observe para a gente bater esse papo e falar não só do evento, falar de modo geral aqui da importância da comunidade, falando também do evento. Esses próximos Papos Qualitativos vão ser sempre um esquenta para o Observe, então pessoas que estão trabalhando na organização, alguns palestrantes vão sempre passar por aqui até a data do evento. Para começar a conversar aqui, eu vou trazer a Bruna Maia, então… Olá Bruna, seja bem vinda, se apresente para a galera.

Bruna: Legal. Oi gente, tudo bem? Eu sou a Bruna Maia, eu faço parte do time da Gympass, então eu sou lead do capítulo de UX Research de lá. Muito obrigada Edu pelo convite e pelo espaço aqui para a gente compartilhar sobre esse tema que, como você mencionou, é muito importante. O UX Research sem comunidade é inexistente, então é muito legal o espaço aqui que você está nos dando, e também para divulgar um pouquinho da Observe, eu faço parte do time de conteúdo da Observe 2020. Sou formada em Ciências Sociais pelo curso da UFABC, o curso de Ciências e Humanidades deles. Gosto muito de bordado, de ver filme e ver série, e nesse friozinho que está hoje aqui em São Paulo também está bem propício para o Netflix… sextou, né? Sexta-feira, então, é isso aí. Obrigada pelo espaço.

Edu: Legal, bem vinda. E para completar o time aqui, vou chamar o Pedro. Olá Pedro, se apresente também para as pessoas.

Pedro: E aí Edu! Boa noite todo mundo, Karen, Bruninha, é um prazer estar aqui nessa live junto com vocês. Bom, estou falando aqui de Floripa, está frio por aqui, vocês devem ter visto notícia de neve aqui no sul, alguma coisa assim… Não chegou aqui, mas está bem frio, então é bom que essa conversa aqui vai aquecer um pouco a noite para a gente conversar sobre a comunidade de UX Research. Na Observe, como o Edu falou antes, eu estou como coordenador geral atualmente, sou pesquisador na Nuvemshop, então lido diretamente com e-commerce, então imaginem o volume de informação agora, durante a pandemia, o quanto que aumentou, principalmente com e-commerce, e já até quero jogar lenha na fogueira aqui: eu já chamei a Bruna para trocar algumas ideias antes da Observe, justamente pela comunidade de UX Research, então, Edu, a gente tem um caso aqui de como a comunidade ajudou a aproximar dois profissionais, já, para já começar essa conversa.

Edu: Legal, ótimo. Bom, tem muito assunto para a gente falar, difícil às vezes até pensar por onde a gente começa, mas a gente está aqui para começar a falar sobre comunidade, e eu sempre falo para os meus alunos que mais importante do que o conteúdo, do que teoria, do que livro, do que curso, é o contato com outros profissionais, acho que é a melhor forma de aprender. Eu gosto muito do conceito de inteligência coletiva, eu acho que a verdadeira inteligência é formada pela colaboração de muitos indivíduos, suas diversidades, eu acho que isso sempre vai somando. Então a comunidade profissional existe muito tempo antes do WhatsApp, antes do Facebook, antes das redes sociais… Eu fiz muito parte de grupos de discussão, listas de discussão por e-mail, antes disso fazia contato com profissionais de outras formas, e não só a área de design ou de tecnologia, acho que todas as profissões têm as suas comunidades profissionais, mas é impressionante o quanto a gente consegue expandir o nosso conhecimento trocando experiência com outros profissionais da mesma área, ou de outras áreas, então… Claro, existem grandes comunidades na área de UX hoje, tem o IxDA — Associação de Design de Interação — , tem o UXPA — Associação de Profissionais de User Experience — , Ladies That UX — Mulheres do UX — , são inclusive associações… comunidades profissionais de nível internacional, e tem várias outras que a gente tem, no Brasil já surgiram algumas outras, o UX Para Minas Pretas entre outros que temos aí, e essas comunidades estão sempre fomentando conhecimento, sempre produzindo conteúdo, sempre trocando experiências… A gente não tem uma comunidade com nome, como essas que eu citei, da área de UX Research, mas eu venho vendo muitos agrupamentos, muitos grupos em diversas redes, de profissionais de UX Research e para mim isso corrobora diretamente com a evolução desta área. Queria que vocês comentassem um pouco da experiência de vocês como profissionais, o quanto vocês acham que essas comunidades de UX Research colaboraram para o crescimento profissional de vocês, como foi essa experiência de vocês de contato com outros profissionais por essas comunidades?

Pedro: Tá, eu posso começar, já até dei um spoiler aqui. Eu sou aquela pessoa que tenta estar no máximo de grupos possíveis, de WhatsApp, de Slack, participar de evento, enfim, porque realmente isso tem um retorno muito grande para mim. Como eu falei, já conversei com a Bruninha lá no iniciozinho da organização da Observe para eu evitar cometer algum erro, um erro técnico, um erro de metodologia, um erro de escolha de plataforma, então eu acho que vem muito assim, tem hora que a gente toma uma decisão, ou até antes de tomar a decisão a gente fala “cara, será que eu estou indo no caminho certo?”, e aí a comunidade vem para abraçar, “puts, não, você está no caminho certo”, “não, tem um outro caminho que é melhor, por que você não experimenta isso?”. E no caso da comunidade de pesquisa de experiência, eu acho que é muito mais do que isso, assim, é unir diversas escolas, eu costumo falar que a pesquisa tem diversas escolas, tem a escola do design, tem a escola da antropologia, tem a escola da psicologia, tem outras escolas, então você conversar com uma galera que tem um formato, um jeito de pesquisar diferente do seu, cara, faz toda a diferença sim, e se hoje eu me interesso tanto por antropologia é porque eu estou em contato com essas pessoas nesses grupos. E você Bruninha, você acha que é a mesma coisa, você acha diferente?

Bruna: Legal. Não, para mim foi fundamental, acho que desde que eu migrei para a área, eu venho da pesquisa de mercado então eu sempre trabalhei com pesquisa aplicada mas era um outro contexto, não tinha a ver com UX quando eu comecei, acho que o nome “UX Research” mesmo é mais recente, talvez no fim de 2010 que começou a pegar força, então até para fazer essa transição eu precisei muito do apoio da comunidade de UX Research, eu vejo hoje também muitas pessoas que querem migrar, então eu recebo muitas mensagens no LinkedIn, em grupos, “como eu faço para entrar?”, e eu fui essa pessoa um tempo atrás quando eu quis fazer a transição, então pra mim foi fundamental no começo para entender o que que da pesquisa de mercado eu iria usar, o que eu precisaria, trocar totalmente a minha mentalidade, que outras coisas eu precisaria utilizar para contribuir, para ser uma boa profissional, então foi muito importante no começo e hoje continua sendo muito importante, porque eu acho que a gente nunca para de aprender, e ainda mais pesquisa que é uma ciência não-exata, a pesquisa de experiência, é uma ciência humana, não tem uma fórmula exata, eu acho que isso que o Pedro comentou das escolas faz todo o sentido, eu acho que não existe uma fórmula — claro que a gente se apóia em métodos e em teorias, e têm muitos autores e autoras que a gente lê e pesquisa, a gente tem um referencial teórico, e claro que existem as boas práticas — mas no fim das contas ali no mercado, trabalhando com os problemas do dia-a-dia, existem questões que a gente acaba se deparando ali e precisa entender como fazer e é muito mais fácil quando alguém já passou pelo caminho e pode dar um conselho, então eu também faço muito isso que o Pedro falou: sempre que eu vejo um desafio novo, ou sempre que eu estou insegura com alguma coisa — e pesquisador tem muito a síndrome de impostor, não sei vocês, acho que é até legal vocês comentarem depois, mas sempre que a gente sente isso eu sempre estendo o braço ou para quem trabalha comigo mesmo hoje no Gympass ou para alguém de fora ou nos grupos que eu estou fazendo parte para trocar experiências, é uma coisa que a gente está aprendendo, justamente por ser uma área também nova, que está se formando, hoje a comunidade de UX Research é um pilar fundamental do meu dia-a-dia.

Pedro: Até puxando um pontinho assim da Bruna, que ela falou a questão de receita de bolo… Eu acho que existem bons guias para a gente, mas existem N formas de você fazer algum desses guias funcionar, e o que funciona na minha empresa, no meu cenário, pode não funcionar no cenário da Bruna, no cenário do Edu, da Karen, enfim, de qualquer pessoa ou empresa que esteja envolvida com isso. Então, acho que daí, cara, é onde tem mais um universo para a gente explorar, não tem um jeitinho certo de você fazer um questionário, existem boas práticas, existem guias, existem métodos, teorias que podem te ajudar a criar aquilo, agora a minha experiência aplicando aquele questionário vai ser diferente da experiência da Bruninha, então acho que é muito amplo, e por ser muito amplo, a necessidade de ter uma comunidade vem, e vem para ficar.

Edu: Legal. A Bruna falou dessa coisa de síndrome do impostor, acho que todo mundo tem um pouco disso em algum momento, e eu acho que a comunidade é uma boa forma de validar o caminho que você está seguindo. Essa coisa da receita é interessante, porque eu falo que quando a gente está aprendendo a cozinhar a gente vai seguindo a receita, e conforme a gente vai pegando experiência a gente vai colocando um outro temperinho, uma outra coisa, vai vendo, “ah, tal pessoa não gosta desse tempero, não gosta disso”, a gente vai adaptando, e a pesquisa é igual, a gente tem ali as boas práticas, tem ali os direcionadores a partir dos métodos, mas a gente está entre o objeto de estudo — usuário/pessoas e os objetivos de negócio, o pesquisador em design está no meio dos dois, isso pode levar a muitas possibilidades, eu acho que a gente ter essa noção dos vários caminhos que a gente pode seguir é importante e eu acho que a comunidade dá essa direção, porque a gente está com pessoas que seguem caminhos muito diferentes compartilhando como eles aplicaram aqueles métodos em diferentes possibilidades, diferentes contextos, então acho que isso é bem legal da gente considerar. Também essa coisa que você falou das escolas, você vem das ciências sociais, né Bruna?

Bruna: Sim.

Edu: Sim. Até na semana passada a gente estava falando com as antropólogas maravilhosas, com a Carol, com a Elizete, com a Paula, falando justamente de como a antropologia trouxe colaborações para o design, como essa troca aconteceu. Como foi para você vir das ciências sociais, vir da pesquisa de mercado e se inserir na pesquisa em design? Que diferenças você percebeu principalmente, e como a comunidade te ajudou com isso?

Bruna: Legal. Eu tive um outro bônus na minha formação, que a faculdade que eu fiz, que é a Universidade Federal do ABC, ela tem uma grade curricular onde você vai montando ela com as disciplinas que você acha interessante, então quando eu estava fazendo o meu curso eu pegava muitas disciplinas de antropologia, disciplinas de filosofia, até disciplina de políticas públicas eu peguei, então no fim me ajudou muito a formar a profissional que eu sou hoje porque eu acho que eu sempre tive essa intenção de ampliar os meus horizontes, eu acho que isso é uma coisa muito importante para você ser UX Researcher, para você ser pesquisador no geral, que é você entender que as coisas não são preto no branco e que é muito mais fácil de você entender um código ou entender um comportamento quando você amplia o seu horizonte e começa a conectar disciplinas. Então eu tive essa formação um pouco atípica, então foi bem legal e me ajudou a ser a UX Researcher que eu sou hoje, só que como eu sempre exercitei isso em pesquisa de mercado, quando eu vim para o UX o meu maior desafio foi entender os meus entregáveis, então entender como que o entregável de design funcionava, então entender que eu precisava ser muito acionável, então eu precisava ser, claro que ainda utilizando ali o storytelling, a forma de você contar os seus achados, dar recomendações, tudo isso se manteve, mas como que eu via aquilo ali realmente se materializando numa interface ou em um produto, como que eu dialogava com desenvolvedores, com Product Managers e com o negócio assim, tão de perto, então acho que esse para mim foi o maior aprendizado, e também já dá um gancho para outras comunidades que eu tive que me inserir, então antes eu estava em uma bolha de pesquisadores com um viés muito acadêmico, cientistas sociais, fazedores de políticas públicas, então a gente discutia autores, a gente discutia métodos, todo aquele preciosismo do método e aquele referencial de escrever ali um projeto acadêmico, eu tive que sair um pouco desse diálogo e começar a entrar mais no diálogo de “quanto tempo demora para eu colocar esse seu achado no ar?” ou “beleza, seu achado é interessante, mas eu preciso que você me ajude nos requerimentos para eu colocar isso na próxima semana ou algo algo assim”, então eu tive que me inserir em outras comunidades também, então eu acho que o UX Research fica muito forte estando na sua própria comunidade, mas a gente só se faz, o nosso valor como pesquisa só é entregue quando a gente começa a se inserir em outras comunidades, então hoje eu sou um pouquinho Product Manager, eu sou um pouquinho UX Writer, eu sou um pouquinho Product Designer, um pouco UX Designer, eu transito, eu precisei aprender um pouco dos códigos deles, do jeito deles falarem, as disciplinas, não sei aqui quem já ouviu uma conversa entre desenvolvedores, mas é um outro idioma! Hoje eu estava em uma apresentação e “não porque pega tal coisa e CSS e Front e tal tal tal”, são novos códigos de conversa que eu como UX Researcher tive que aprender também, então quando eu me abri para a comunidade de UX Research, essa foi a principal diferença, eu tive que ampliar os meus horizontes, tive que entrar em outras comunidades de produtos de design.

Edu: Você falou uma coisa muito interessante, porque eu costumo dizer que os primeiros usuários que a gente tem que aprender a lidar são justamente a nossa equipe, são justamente as pessoas com quem a gente vai trabalhar, então se a gente não aprender a falar com desenvolvedor, se não aprende a falar com gerente de produto, e assim por diante, a gente não consegue fazer a coisa fluir. A gente vê muitas pesquisas sobre maturidade de UX nas empresas e normalmente a gente vê que só aquelas empresas que já têm um nível de maturidade mais alto de UX é que normalmente aplicam pesquisa da forma que se deve. Algumas começam ali primeiro pelo teste de usabilidade, as pesquisas mais de validação, mas essas pesquisas de discovery mesmo são poucas empresas que hoje trabalham assim. Como que, através desse contato com a comunidade, com os profissionais, vocês vêem esse nível de maturidade das empresas, o quanto que vocês acham que as empresas estão evoluindo, não estão, nesse sentido, quantas empresas hoje aplicam ou não aplicam de fato um processo de pesquisa consistente?

Pedro: Isso depende, varia muito de empresa para empresa, o quando ela tem de cartas na manga para investir. Eu vou contar a minha história, que eu acho que responde um pouco da sua pergunta. Eu venho da gestão empresarial e marketing, então já venho de um lado diferente da Bruninha, minha primeira carreira no mercado foi dentro de Customer Success, do sucesso do cliente, não foi dentro de UX, não foi dentro de design, não foi dentro de produto, e por eu ser uma pessoa muito questionadora, ser aquela pessoa chata mesmo que fica perguntando o que é que está acontecendo, por que é que está acontecendo, muitas pessoas, quando abriram uma vaga na empresa para uma equipe exclusiva de pesquisa, colocaram essa sementinha em mim, falaram “cara, eu acho que você dá fit, eu acho que você pode ser uma boa pessoa para ajudar essa área a crescer”. Comprei a ideia e segui, só que eu segui com a minha mentalidade focada muito em marketing, em produto em sucesso do cliente, e aí quando eu cheguei aqui eu vi que tinha uma infinidade de coisas. Esse é o meu caso. No caso lá da empresa, da Nuvemshop, é uma equipe exclusiva, é autônoma, está só abaixo do diretor de produto, da equipe de produto, não está dentro de design, não está dentro de uma equipe de UX, porque no caso da empresa não existe uma equipe de UX — existe UX, mas não existe uma equipe formal, existem pessoas que trabalham para aquilo, é um pouquinho diferente. O que eu vejo assim geralmente são empresas que, sinceramente, quando não têm muito orçamento, contratam uma pessoa para dar conta de muita coisa e, realmente, falando muito sério, o pesquisador sabe quem está na linha de frente, quem está na linha de frente pesquisando, é muito difícil você rodar mais de uma pesquisa ao mesmo tempo, é muito difícil, se essa pesquisa for grande, se essa pesquisa merecer um foco específico, e eu vejo isso acontecer, eu vejo empresas ali que estão “uma pessoinha = um pesquisador”, temos uma pesquisa!, mas na verdade não tem aquele nível de maturidade, como você falou, Edu, de uma empresa que tem mais pesquisadores, que coloca um pouco mais de esforço para isso e que permite as pessoas a saírem do teste de usabilidade e irem para uma entrevista em profundidade, fazerem uma etnografia, e por aí vai. Então tem esses estágios, nas startups isso é um pouquinho mais comum, agora em empresas maiores ou que já estão começando a trilhar um caminho, aí já muda o cenário, essa é a minha visão, um pouco.

Bruna: Eu acho que as empresas também estão aprendendo o que é UX Research, e como é a pesquisa aplicada ao design, ao produto, eu acho que tem essa curva de aprendizagem que as empresas passam, e as empresas no Brasil estão passando também, se a gente compara com outros mercados tem outros países que estão um pouco mais na frente nesse sentido de UX Research, os Estados Unidos a gente pode pegar como exemplo, as empresas já enxergam a maturidade e o valor de UX Research mais facilmente, a área já começou lá antes. Aqui no Brasil a gente vê realmente essa disparidade, então tem empresas que já estão muito avançadas, tem empresas que estão começando agora, a gente vê empresas de setor que não são de tecnologia mas têm ali sua parte web querendo contratar UX Researchers para se juntar, então eu acho que a gente está passando por um movimento mesmo da área, acho que assim como, sei lá, Social Media passou há um tempo atrás, algo assim, UX está enfrentando isso agora e UX Researcher mais ainda por ser uma especialização de UX, então UX já era difícil, UX Research, UX Writing estão neste momento de construção. Então isso que o Pedro falou de as pessoas entenderem que um UX Researcher, um pesquisador vai ser o suficiente, ou pelo menos vai ser o início de uma área de pesquisa, eu também vejo muito acontecendo, as pessoas começam ali com uma pessoa só, e o problema disso, ou talvez não problema, mas o que torna o caminho desse pesquisador mais difícil é que são colocadas nele muitas expectativas, então a empresa contrata um UX Researcher sozinho e quer que ele organize um guideline, todos os fluxos de trabalho, boas práticas, ao mesmo tempo quer que a gente dissemine a pesquisa, e quer que a gente ensine UX Designers ou Product Managers a fazer pesquisa, e aí eles também querem que a gente entregue insights, e a gente precisa estar entregando insights tanto a longo prazo, mais esse discovery, mas a gente também tem que testar a usabilidade de tudo que está sendo desenvolvido… Então eu acho que o grande problema são as grandes expectativas que se colocam naquele pobre ser humano único ali para fazer o papel de pesquisador, a gente fala muito na comunidade disso, “o time de uma pessoa só”, então acaba sendo um paradoxo mesmo, difícil, porque você tem que provar o valor da sua área para você conseguir expandir, mas só tem você, então você precisa fazer escolhas e você precisa segurar todos os pratos, então isso coloca para a gente uma exigência que realmente dificulta as coisas, e é muito difícil ter essa conversa, “eu poderia estar entregando isso que você quer, só que eu preciso de mais gente, preciso de ferramentas”, às vezes preciso de dinheiro, às vezes não, mas como que a conversa sai um pouco desse papo de ser uma pessoa só de pesquisa que vai resolver todos os problemas versus quais são as bases mínimas para criar um time de pesquisa ou para esse time ganhar valor, que é inclusive uma discussão na comunidade de UX Research, e é uma coisa que a gente troca muito, troca de experiências, desabafos, enfim, de como que eu faço para provar o valor da minha área enquanto eu estou executando as coisas da minha área, então como conseguir esse papel de missionário evangelizador de UX Research mas também de estar ali entregando valor, e tem muita empresa que pede métricas de sucesso, então que métricas? A gente tem muita discussão sobre isso, e até a comunidade também, para citar um exemplo, o Pedro, como ele comentou, a gente está sempre em contato, e eu acho que um ponto legal de ressaltar da comunidade de UX Research é essa humildade que a gente tem em UX Research porque realmente está todo mundo no mesmo barco, então um dia o Pedro me falou “meu, tem um líder de pesquisa aqui que está querendo entender como ele faz para fazer plano de carreira e métricas para a área, você topa falar com ele?” e eu super topo, e aí quando a gente entrou na call era tipo “não sei cara, como você está fazendo por aí? Ah, estou vendo por aqui também, estou testando isso aqui… Vamos testar isso aqui e a gente se fala semana que vem? Vamos”, e está tudo bem, sabe? Enfim.

Pedro: Não tiro nada do que a Bruninha colocou aí, mas esses assuntos… Pensa isso em grupo de WhatsApp. Acontece de-mais. Todo dia tem uma discussão focada: “como que eu mostro o valor da minha equipe para o meu gerente/para o meu líder/para o meu diretor?”, “como que eu crio uma estratégia para aumentar o número de pessoas da minha equipe?”, então cara, isso é direto. Agora, a gente estar nesse movimento, iniciativas como essa aqui, como eventos, trilhas de eventos… Essas discussões aqui são muito importantes assim, para que… Cara, a nossa missão é fazer com que isso chegue até os tomadores de decisão de alguma forma, para que eles consigam entender realmente o que que é, e pesquisa é um negócio muito sedutor: você fez uma pesquisa que gerou um relatório cheio de descobrimento, cheio de insight, e aí a pessoa fala “ah, tá, você pode fazer mais uma? Pode entender esse pontinho aqui?” Claro, pesquisa não tem fim. Se a gente fechou uma pesquisa aqui, sei lá, daqui dois anos a gente pode revisitar isso e atualizar isso, sabe, com a mesma base, então não tem fim, é um ciclo mesmo, muito grande, então por ser esse ciclo e ter esse nível de complexidade muito alto é que… É esse sentimento de “ai meu Deus, não estou dando conta, tem muita coisa para fazer, tem isso daqui que o pessoal fala que está fazendo mas eu nunca fiz, socorro! Tem essa teoria aqui que está todo mundo falando nos eventos mas eu nunca fiz, então então eu sou um mau profissional…” Então a gente se sente assim às vezes, a gente vê coisas acontecendo aí no mercado que eu falo “cara, como assim eu não sei disso? Quando que isso surgiu? Pelo amor de Deus, preciso saber”, e o meu primeiro clique é “vou procurar alguém no LinkedIn, vou jogar em algum grupo de WhatsApp, vou jogar em algum grupo de Slack, vou participar de um evento que tem esse tema para eu conseguir me conectar com alguém, porque não tem como a gente consumir tudo o tempo inteiro, a gente vai ter que fazer algumas escolhas, porque pesquisa é muito amplo, não sei se a Bruninha discorda comigo.

Bruna: Não, concordo super, e eu acho que poderia ser até um lado… Se a gente puder colocar um lado negativo da comunidade — eu não acho que tenha, mas acho que talvez o lado menos positivo, talvez — é essa ansiedade que a gente acaba se inserindo, acho que não só essas comunidades profissionais, mas acho que essa quantidade de informação que a gente recebe hoje em grupos de maneira geral, grupo da família, grupo do trabalho, grupo dos amigos, enfim, a gente está com tantas pessoas ao mesmo tempo, mas de forma online, então você está num grupo com 100 pessoas, você é uma dessas 100, então acontece muito aquele comportamento que tem sido falado, que é o tal do “medo de perder alguma coisa”, o “fear of missing out”, que é o “nossa, hoje eu não consegui dar atenção para o grupo de UX Research”, e já começa o “eita, e tem 100 mensagens! O que eles falaram de tão especial nessas 100 mensagens? Eu não posso perder!” e aí lê, e aí descobre um novo método, e é isso que você falou, Pedro, “nossa, será que está todo mundo nesse patamar e eu ainda não? Então também tem essa ansiedade de você querer contribuir, acho que tem essa ansiedade também, tipo “estou aqui, então quero dar a minha opinião, quero compartilhar, quero ser útil para outro pesquisador” e às vezes a gente não pode tanto por N motivos, então acho que tem essa cobrança de contribuir, e tem esse medo de estar perdendo alguma coisa muito valiosa porque acaba sendo nosso único canal de comunicação, então se a gente não tem talvez uma formação universitária em UX Research tão clara ou coisas tão estruturadas, a minha fonte de informação está ali no meu celular, no meu grupo de WhatsApp com outros pesquisadores, então o quanto da minha atenção eu preciso colocar para aquilo? O quanto eu preciso levar a sério aquelas conversas e disponibilizar um tempo para eu acompanhar? Então acaba gerando uma ansiedade aquele monte de notificações no nosso celular.

Pedro: Só para não perder, porque eu acho que se eu deixar de falar eu não vou lembrar depois: não só acompanhar, mas também se doar quando você estiver respondendo e ajudando alguém, porque essa pessoa que está recebendo essa mensagem sua pode ter visto só a sua, e ela vai tomar a decisão dela baseada na sua, e isso já aconteceu comigo algumas vezes, tanto em UX Research quanto em qualquer outra coisa, se tem alguém que fala alguma coisa que você precisa, que você está louca para encontrar, a sua tendência é confiar muito naquilo, então o que eu tento fazer é: alguém jogou algum assunto que eu consigo colaborar, eu paro um pouquinho e falo “tá, deixa eu responder aqui então”, e não fazer nada correndo, porque tem muita gente que estuda por esses grupos, faz as coisas baseadas nesses grupos, então a responsabilidade é nossa também, de compartilhar coisas de conteúdo de qualidade com todo mundo.

Edu: A Bruna falou, primeiro, sobre essa ansiedade de informação, o Richard Wurman já falava, temos o livro Ansiedade de Informação, que eu acho que isso foi potencializado inclusive nesse período de quarentena, as pessoas que estão, parece que, se forçando a produzir mais conteúdo e se forçando a consumir mais conteúdo, e você falou, Bruna, também de uma outra questão, que é a questão da formação. Nem todo mundo que trabalha com pesquisa hoje tem uma formação em pesquisa, ou veio de alguma área de antropologia ou de ciências sociais. Quem tem graduação em design teve uma pincelada em pesquisa mas não é uma formação direcionada para trabalhar exclusivamente com pesquisa, e na área de UX a gente tem essa coisa de “se você trabalha com UX você tem que falar com o usuário”, então muita gente começou a fazer pesquisa nessa onda, era designer, tinha outras atribuições e num determinado momento começou a pegar um tutorial, fazer alguma pesquisa ali, começa com um teste de usabilidade, vai fazendo outras coisas, e a gente vê muito nessas comunidades essas pessoas que estão começando justamente sem ter um direcionamento de método, e é igual o Pedro falou, acabam estudando através desses grupos. Às vezes a gente não acha tanto conteúdo estruturado sobre pesquisa para que a gente possa estudar, nesse sentido, inclusive tem um comentário aqui, o Facebook não traz o nome da pessoa, mas a pessoa aqui deixou o comentário “vocês tem algum material de estudo para indicar?”. Quais que vocês acham que são os caminhos que alguém que está começando em pesquisa pode seguir para se preparar?

Pedro: Quer dar o start nessa, Bruninha?

Bruna: Pode ser. (risos)

Edu: Vai lá.

Bruna: Eu acho tão difícil indicar caminhos, porque são tantos, mas se eu pudesse dividir um pouco do que eu pessoalmente acho que é um caminho interessante e que então tem muito a ver com a minha experiência, eu voltaria para os autores clássicos de metodologia de pesquisa, então ler um pouquinho de coisas de observação, de métodos estruturalistas, então você pode voltar bem para os primórdios e ler um pouquinho de Lévi-Strauss que vai trazer a questão da antropologia e do estruturalismo, ler autores de métodos qualitativos, não vou lembrar todos de cabeça agora, mas jogar assim no Google “métodos qualitativos” e pegar aqueles papers que tem as referências de ciências sociais e ler aquelas bíblias da pesquisa, posso até depois compartilhar em algum lugar Edu, se você quiser dividir aí com a audiência os nomes certinho, mas eu acho que essa fonte inicial é muito importante para as pessoas lerem porque elas nos dão as bases metodológicas e depois, sabendo isso, é legal de se aperfeiçoar, é mais fácil de se aperfeiçoar e de quebrar a regra sabendo da regra, então eu acho que foi muito importante para mim ler sobre pesquisa fora um pouco do design antes, então ler sobre pesquisa bruta e depois começar a adaptar, e aí para mim um livro que foi muito importante na minha transição foi um livro da O’Reilly que é aquele que tem um passarinho na capa, que é o UX Research, porque eu acho que ele amarra bem os conceitos, ele traz os conceitos práticos mas com um guia muito fácil de como aplicar, então junta esses dois mundos, eu acho que casa muito bem, mas assim, eu também estudo pelo Medium, leio o que as pessoas estão fazendo, então a minha formação tem grande parte da comunidade de UX Research com certeza, então eu acho que estar antenado e ler sobre os assuntos que estão em alta é muito importante e checando a fonte também, checando quem está escrevendo, a gente está com essa facilidade de compartilhar informação, e cai nesse ponto que o Pedro falou de responsabilidade, então é entender de onde está vindo aquela informação para não cair no erro, então por isso que é legal ter essa base teórica, porque aí você consegue perceber quando aquilo não está fluindo muito bem com os princípios da pesquisa.

Pedro: Bruninha, eu fui para um lado diferente. Eu comecei num lado mais prático da coisa porque a minha formação não deu base para eu chegar e entender essas regras, então eu consumia muito Medium, consumia muito Nielsen-Norman Group, que é um grupo né… Enfim, todo mundo conhece, super famoso dentro da comunidade de experiência do usuário, e eu consumia também a Escola de Design da Universidade de Stanford, porque eles têm alguns conteúdos bastante interessantes e na minha visão bem práticos, principalmente para quem está começando, fora bootcamps, cursos, eventos, coisas que fazem a gente abrir um pouco a cabeça. E por que eu quis falar isso, que meu caminho foi diferente? Porque eu comecei tendo que pesquisar muito rápido, fazer as coisas muito rápido, então eu comecei já tendo que começar a praticar e executar as coisas, só que chegou num nível, que era o nível que eu estava há pouquinho tempo atrás, que eu falei “cara, eu preciso de fundamentação, eu preciso de teoria, eu preciso entender porque isso aqui foi criado, como eu posso fazer justamente para abrir o meu caminho para eu escolher alguma coisa, recriar algum outro caminho”, então, olha só, tem caminhos diferentes, depende de como a pessoa está. Se ela está ali, dentro de uma equipe, foi contratada para isso, ela tem que entregar o resultado, busque alguns repositórios — não é qualquer coisa também que está na internet, a gente sabe disso, que não dá para a gente confiar em tudo, então buscar escolas que realmente dominam o assunto, entendam sobre o assunto, buscar repositórios como esses que eu falei é um bom caminho. Agora, quer iniciar, você tem um tempinho, está fazendo uma transição de carreira? Fundamentação. Busca aí o que a Bruninha falou, busca aí os livros, entenda, leia, assista. Tem pessoas, a gente está numa fase de pessoas que não quer muito ler, também…

Bruna: É verdade.

Pedro: A galera mais nova está mais nessa linha. Eu reaprendi a gostar de ler faz pouco tempo. Eu fiquei muito tempo da minha vida sem querer ler muita coisa grande, para falar a verdade, e algo que eu aprendo muito fácil é escutando, sempre, desde quando eu era criança, eu era aquela pessoa na escola que não anotava muita coisa, só escutava, armazenava e seguia adiante, então acho que também vai da pessoa entender como ela consegue aprender bem, ela consegue aprender colocando a mão na massa? Ela consegue aprender lendo? Ela consegue aprender escutando? E aí ela escolhe o canal certinho e se tiver uma dúvida, se o que ela está consumindo é importante, é bom ou não, tem qualidade ou não, aí ela pode perguntar para um pesquisador, chamar alguém no LinkedIn, jogar no WhatsApp, “olha, estou consumindo isso aqui, o que vocês acham?”, e aí vai deslanchar e vão trocar esse feedback.

Bruna: Legal. Se eu puder complementar, acho que você tocou num ponto importante esse da escuta, acho que a gente está na era dos podcasts, então com certeza tem muito conteúdo bom de pesquisa para ser ouvido. Eu não escuto muitos, então não vou ter nenhum aqui para indicar, inclusive estava atrás de algum podcast sobre pesquisa brasileiro, se alguém conhecer e quiser deixar nos comentários para mim vai ser super útil, porque eu estava atrás disso. Até então o UI Breakfast, que é o que eu tenho salvo aqui… Eu não sou uma grande consumidora dos podcasts mas eu acho que muita gente gosta desse tipo de método de aprendizado, e fica aí de alternativa. E eu acho que isso é muito rico da comunidade também, essas diferenças de perfis de pesquisador que a gente tem, e está tudo ali no mesmo grupo, então às vezes alguém faz uma pergunta e aí um pesquisador que tem uma trilha mais parecida com a minha, mais acadêmica comenta, alguém que tem uma trilha mais de negócios que nem o Pedro, de gestão, comenta também, aí vem outro pesquisador que veio de design e comenta, então no fim ter todo mundo junto ali… Fica muito rica a discussão, a gente consegue realmente ver várias possibilidades, é uma das coisas que eu mais gosto na comunidade de UX Research, porque me ajuda a me desconstruir às vezes de quem eu sou mesmo, como pesquisadora, e ver outras possibilidades.

Edu: Legal. Sobre podcasts, acho que o Movimento UX teve a segunda temporada inteira com profissionais de pesquisa…

Bruna: Boa, bem lembrado.

Pedro: Verdade.

Edu: Acho que é uma grande dica. Eu tenho meu podcast também, o Escuta Ativa, que está falando sobre pesquisa remota neste momento… Está meio abandonado mas está lá ainda, então quem quiser seguir, fica como dica. Pessoal, tem algumas pessoas deixando aqui alguns comentários, tem muita gente falando aqui que ama a Bruna, ninguém falou que ama o Pedro, tem muita gente aqui que está falando…

Bruna: Valeu, gente!

Pedro: A Bruna compartilhou o link dessa live dentro do grupo da família dela, só pode!

(risos)

Bruna: Pedro, você devia ter feito o mesmo, pô!

Edu: Quem quiser deixar mais comentários, galera, vai deixando perguntas, vai deixando comentários para a gente ir colocando aqui, para ir aquecendo essa conversa, mas eu queria ir já direto, a gente já passou da metade do nosso papo, eu queria começar a falar com vocês sobre o Observe, que é um evento maravilhoso porque ele está sendo feito pela comunidade. A gente sempre vê eventos sendo feitos pela comunidade em um nível menor, a gente encontra muitos meetups, a gente encontra pequenos eventos, encontros, mas a gente está falando de uma grande conferência que está sendo organizada, e que a gente tem um número grande de pessoas na organização, e eu sempre destaco, eu gosto muito de destacar essa coisa de evento em comunidade porque é um trabalho voluntário, são pessoas que estão se unindo, dispondo do seu tempo, dispondo das suas horas vagas, às vezes abrindo mão de tempo de lazer, de tempo com a família, para se dedicar e construir algo em benefício à própria comunidade, então eu acho que todo mundo que está participando da organização merece uma salva de palmas de modo geral, para todo mundo, porque isso é muito rico, e ainda mais uma área que está se estruturando como a área de UX Research, está começando a crescer de uma maneira mais concreta agora no mercado brasileiro… A gente poder ver a comunidade se movimentar nesse nível, a criar um evento dessa proporção junto é uma coisa linda de se ver, e eu queria que vocês começassem a falar um pouquinho de como que surgiu a ideia do Observe, como que vocês quanto comunidade começaram a discutir, chegar nessa possibilidade, se juntar, se organizar, meter a mão na massa… Queria que vocês contassem um pouquinho da história.

Pedro: Só um parênteses: Edu, você forçou a galera a falar que me ama nos comentários.

(risos)

Edu: Sim…

Pedro: Então tem um monte de gente agora que está falando que me ama, que eu sou maravilhoso… Eu estou morrendo de rir, aqui! Muito bom, muito bom, também amo todo mundo. Vamos lá. A Observe vem sendo criada há um tempinho já, essa fagulha de ter um evento, ter um momento especial de tratar o assunto de pesquisa de experiência já está na nossa cabeça há um tempo, de alguns pesquisadores, mas tudo começou assim, essa fagulha começou a acender em janeiro deste ano, quando algumas pessoas falaram “cara, a gente tem que colocar isso no mercado, vamos jogar isso, vamos ver o que que dá”, e olha só como que foi o processo de início da equipe: pessoas tiveram as ideias e jogaram em grupos de WhatsApp. Tudo surgiu ali em grupos de WhatsApp. Tudo surgiu ali dentro do LinkedIn. Tudo surgiu ali dentro da comunidade. Então, as pessoas que fazem parte da equipe hoje vieram dali, da comunidade. Eu por exemplo, eu entrei porque eu falei “tá, deixa eu ver aqui o que é isso, se eu consigo colaborar com alguma coisa”, e quando eu vi eu já estava dentro. Então se a gente for parar pra ver… Eu lembro das primeiras reuniões, tinham… sei lá, 60 pessoas para discutir como deveria ser o evento, como que deveria ser a conferência. Segunda reunião: 40 pessoas. Terceira reunião: 30. Quarta reunião: 20. E foi assim até a gente formar uma equipe bem enxuta lá no começo, de 15 pessoas que, justamente como você falou, Edu, está todo mundo se doando no extra, não é o primeiro trabalho de ninguém, a gente sabe que estamos fazendo o máximo para ter o máximo de qualidade possível… Mas é o que eu falo, se fosse o nosso primeiro trabalho, seria algo muito maior, mas a gente ainda tem que dar conta da empresa, a gente tem que dar conta da nossa saúde física, mental, de casa, pandemia, arrumar a casa, ouvir aí notícias que não são tão legais, tentar espairecer um pouco… Então é tudo muito junto. Então, por não ser o nosso primeiro trabalho, a gente está soltando algo com o máximo de qualidade possível e eu sou meio suspeito para falar que, principalmente o conteúdo, está muito massa, eu quero até deixar para a Bruninha falar, porque ela é a nossa garota de conteúdo. O que que a galera pode esperar, Bruninha?

Bruna: Bacana. Eu acho que realmente essa história de como nasceu o evento é um diferencial na história da Observe, por isso que a gente sempre repete essa história e fala que veio da comunidade porque o evento já nasce diferente aí. Claro que é muito importante o apoio de empresas, de grandes empresas, de empresas que são digitais, que estão usando o UX Research, mas vir dos próprios pesquisadores eu acho que é um diferencial e que é muito interessante. Então, o que vocês podem esperar de conteúdo é um conteúdo criado por pesquisadores para pesquisadores com pesquisadores, então a gente vai estar em um ambiente muito seguro de troca, e a gente quebrou algumas barreiras que a gente viu em outros eventos que a gente pesquisou — eventos dedicados a UX Research fora do Brasil, que a gente usou como referencial — que são eventos que acabam repetindo palestrantes que já são muito consolidados, ou estigmas de evento, que cria aquele ambiente de “nossa, tem um palestrante ali falando e eu estou aqui escutando, eu estou aprendendo e ele está falando”, eu acho que o evento do Edu, o DEX, quebrou isso, foi muito legal o formato de fishbowl, a gente está também usando como uma referência positiva, no caso da Observe, que é realmente essa tentativa de mostrar que é um evento da comunidade para a comunidade, então a gente reforça isso. Quando a gente criou as trilhas de conteúdo, então tem uma trilha focada no presente, que está muito ali para a gente entender o que está sendo feito hoje, quais são os desafios, quais são as estratégias, o que a gente está fazendo quanto pesquisadores e empresas, como é o nosso papel hoje, e a gente também tem uma trilha voltada para o futuro, porque o Observe tem essa intenção de construir um caminho com todo mundo junto, que é uma coisa que já acontece há muito tempo e agora é quase que um manifesto, é uma formalização tipo “vamos fazer esse negócio junto e vamos pensar o futuro da nossa carreira”, se a gente está com essas dúvidas de qual o career patch de research, qual o caminho de carreira dos pesquisadores? Quais que são as métricas que eu preciso ter para o meu time? Qual o plano de carreira que as pessoas vão ter sendo UX Researcher? Se essas dúvidas estão acontecendo desde os mais experiências até os que estão entrando agora, vamos abrir essas discussões focadas nesses assuntos, então a gente tem a trilha do presente e a gente tem a trilha do futuro. As duas funcionam muito bem com pesquisadores muito experientes, e a gente tem inclusive nomes muito experientes também ali no nosso hall de palestrantes, que são pessoas muito importantes para a comunidade, então a gente trouxe também isso, mas a gente abriu espaço também para gente que está começando, gente que ainda nem sabe direito o que é UX Research mas quer fazer parte, gente que se identifica com os valores… A gente recebe muita mensagem assim “eu sou do jornalismo, mas eu gosto tanto de pesquisar a necessidade das pessoas que quando eu vi o que era UX Research eu quis entrar também! Como que eu faço?” E essa é a pessoa que já tem os valores da pesquisa nela, então a gente quer abraçar essas pessoas também, a gente quer que pessoas que estão ali no dia-a-dia compartilhem seus trabalhos, como elas estão resolvendo seus pepinos, então por isso a gente abriu a chamada para os cases, e a gente fez um processo de avaliação super legal, que não olhou o nome do pesquisador para que a gente tivesse zero viés na escolha desses trabalhos mas focasse em gente que está realmente fazendo o UX Research acontecer no dia-a-dia. E a gente traz tudo isso junto, também sou suspeita para falar, como o Pedro falou, mas a gente está estudando muito para trazer o conteúdo mais legal e mais inovador e mais transformador possível para essa semana de evento, então acho que a grande mensagem é: tem conteúdo para todo mundo, e todo mundo vai sair dali com alguma coisa positiva, esse é o nosso grande objetivo. A gente quer que pesquisadores de anos de carreira, que já contribuíram muito para a comunidade saiam orgulhosos do evento e saiam sabendo que eles fazem parte dessa comunidade e a gente quer que pessoas que estão iniciando saiam confiantes de falar “pô, isso é muito legal, eu quero fazer parte disso mesmo, e vamos aprender juntos”, então essa é a nossa grande missão com a Observe.

Edu: Eu acho muito legal isso que você falou de não ter só aquelas pessoas que já têm muita experiência ali falando como gente que está começando também, primeiro que eu sempre acho que todo mundo tem algo para compartilhar. A gente tem uma cultura, às vezes, em eventos, que é só de trazer o case de sucesso, então traz aquele case maravilhoso, as pessoas ali embaixo estão assistindo aquilo e às vezes não se identificam… As pessoas às vezes querem ver o que está acontecendo de problema no dia-a-dia, o que deu errado também, ou como que você está aprendendo, como que você está implementando, então eu acho isso muito legal. E pela curadoria que a gente vê que foi criada no evento, as trilhas, é legal perceber a influência da própria comunidade em si, porque a gente vê que os assuntos estão sendo abordados, as temáticas, são coisas que emergiram das próprias dúvidas da comunidade, das próprias discussões que a comunidade vem fazendo, então eu acho que é uma curadoria que representa muito a realidade da pesquisa e o caminho necessário que a gente precisa conversar para evoluir tudo isso.

Bruna: Legal. Inclusive, só um complemento, os temas da curadoria, a gente fez uma pesquisa inicial lá no começo, né Pedro?

Pedro: Se não fizesse né, Bruninha? Se não fizesse ficaria um pouco estranho…

Bruna: Primeira coisa… É isso! Juntou pesquisador, a gente falou “vamos fazer uma pesquisa, então! O que vocês acham?”, foi bem isso, para a gente levantar os temas de maior interesse, então no fim a curadoria também foi construída pela comunidade, a gente está aqui representando, somos um grupo de curadores de conteúdo mas a gente está sempre ouvindo, que é isso que pesquisador faz também, a gente ouve as necessidades das pessoas, então é isso aí.

Pedro: É engraçado, assim, um ponto legal de falar, é que quando começou, em janeiro, a gente estava planejando para ele ser presencial… E aí chegou a pandemia ali no meio e mostrou para a gente um cenário bem diferente, a gente reprogramou a rota total… Olhando para trás a gente tem que citar isso, e aí tinham vários caminhos, caminhos fáceis para a gente seguir, caminhos um pouco mais desafiadores, e eu gosto muito de falar, fico muito orgulhoso, que a gente escolheu os caminhos mais desafiadores. Acho que a gente poderia fazer algo por um caminho super fácil, que era, sei lá, fazer uma live no Instagram, um evento por live no Instagram, coisas assim… Mas, cara, a gente tentou colocar o máximo de qualidade possível, então tem algumas palavrinhas que são chave, que a galera pode esperar do evento, que na minha visão são diversidade, a gente quer o máximo de diversidade ali, já está visível nos palestrantes o quanto a gente se preocupou com isso, na galera que está trabalhando para o evento e nas pessoas que vão participar do evento, e o outro lado da história, que para a gente é muito mais do que um valor, é uma regra não-negociável, é a acessibilidade, então a gente vê muita gente… E o conteúdo tem que ser democrático para todos. Enxergar o todos como realmente todos, e não só o que está na nossa bolha. Então, desde o início, foi algo que a gente pensou, e o evento vai ter toda a interpretação em libras inclusive com o apoio da Mergo junto com a gente, ajudando nesse sentido que, cara, quando a gente celebrou essa parceria junto foi incrível para a gente conseguir colocar isso realmente na linha, era um sonho que a gente tinha no início… Primeiro evento, primeira vez que a gente está fazendo e tendo um apoio desse nível, cara, para a gente faz muito sentido. Acho que a Bruninha fica até também confortável de falar isso, porque é algo que a gente queria muito no início, “a gente quer fazer… Mas vai dar certo”. Inclusive tem até uma novidade, não sei se a galera já sabe… Não sei se a gente fala agora né, Edu? Pode falar?

Edu: Fiquem à vontade!

Pedro: Não, vamos lá. Não é muito bem uma novidade assim… Se a galera que está aqui assistindo ou vendo esse vídeo depois não está seguindo a gente no Instagram ou não entrou no nosso site ainda, a gente vai abrir as inscrições para o evento agora, 22h! Então daqui duas horinhas a gente abre as inscrições. Vai ser um formato de lotes. Então sim, fique lá na página, F5! Estoura o F5 do teclado para comprar! A gente vai abrir esse primeiro lote justamente para aliviar um pouco a ansiedade da galera que está deixando um monte de comentários lá no Instagram: “quero comprar, como que eu faço?”, “quero comprar, como que eu faço?”. A gente reprogramou um pouquinho, vamos soltar aí “palestras e cases”, mas tem o “workshops” que vai vir daqui para frente também, a gente vai divulgar tudo certinho, então hoje a gente já abre os ingressos para “palestras e cases” do evento. É só ficar atento ao nosso Instagram, @experienciaobserve ou entrar no site também, experienciaobserve.com.br. Esqueci algo, Bruninha?

Bruna: Queria só falar que provavelmente a gente vai errar para caramba, porque é a primeira vez que a gente está fazendo, então isso também vai ser muito importante para a gente, e nós somos uma comissão que escuta muito, então deixo esse espaço aberto para contribuir com o evento nesse sentido. Provavelmente a gente vai falhar em alguma coisa, alguma coisa vai dar errado, e faz parte da trajetória do UX de testar e iterar, então assumir isso acho que foi muito corajoso… Acho que muitas vezes a gente pensou em desistir, a gente teve pessoas que falaram “puts… Será que vai dar certo?” e tal, e a gente se fortalece muito, então esse é um peso da comunidade. No nosso grupo de comissão a gente fala de preço de ingresso, fala de curadoria de conteúdo e também enxuga lágrimas dos outros e fala “não, vamos continuar e vai dar tudo certo”. Acho que esse é um ponto muito forte também de ressaltar, como eu falei que somos pesquisadores, estamos fazendo isso para pesquisadores, então a gente está sujeito a falhas, a gente está querendo entregar o maior evento possível, com a maior qualidade possível, como o Pedro falou, e a gente talvez cometa algum erro, e a gente está aberto a ouvir para melhorar, então entendam que vocês fazem parte também do evento nesse sentido, quem vai se inscrever a partir das 22h: a gente conta muito com esse apoio de feedback, de vocês fazerem parte dessa história nesse sentido para que o próximo evento seja melhor ainda, a gente vai continuar e a intenção é essa. Certo?

Pedro: Esse evento vai ser um grande laboratório para uma possível próxima edição, então a gente vai fazer pesquisa ali no meio, a gente está pensando na forma de coletar os feedbacks, de entender tudo, como que vai ser a experiência de fato, então esperem pesquisa também durante o evento que vai rolar sim, pelo menos do nosso lado.

Edu: Acho que essa é a beleza de um evento de comunidade, porque não é uma relação de cliente-prestador de serviço, é uma relação comunidade-comunidade, então é como eu já falei aqui, reforcei no início, são pessoas voluntariamente doando seu tempo para construir algo, e quem está acompanhando, quem está consumindo esse conteúdo está ali também como alguém integrante da comunidade, então qualquer pessoa que está participando ao mesmo tempo pode estar contribuindo para a evolução desse evento, e eu tenho certeza que virão muitas mais edições pela frente. Pessoal, faltam três minutinhos para a gente encerrar, então eu queria que cada um de vocês deixasse um recado final para a comunidade, para os profissionais que fazem parte dessa comunidade ou que estão querendo se inserir, que estão querendo trabalhar com pesquisa… Um recadinho final para a gente encerrar.

Bruna: Vai lá, Pedro.

Pedro: Vamos lá. Eu costumo falar… Eu estou numa fase em que eu estou filtrando muitas coisas, eu falei isso lá no início e não foi à toa. A gente recebe muita informação. Então, uma grande coisa que eu tenho que falar aqui é: O que que você precisa agora? Qual que é o seu objetivo agora? O que que você quer alcançar agora? E vá em busca disso. Se você encontrar um monte de coisas interessantes, salva e volta, revisita isso depois. Eu falo isso porque cara, tem muita informação dentro da área de pesquisa, muita, muita informação, e eu mesmo já me coloquei para baixo por ver algo que eu não estou fazendo super bem mas eu nem sei o que que é aquilo, de onde surgiu aquilo. Então, se você está começando na área, está migrando, ou já está na área, assim como eu, como a Bruna, e está se sentindo assim, cara, vá aos poucos, realmente tenta entender qual é o seu melhor universo e busque soluções, conteúdos que tenham essa curadoria por trás. Eu acho que isso é chave. Confiar em alguma coisa que realmente selecionou os melhores materiais para as coisas acontecerem e não ficar também… Acho que evita, né? Quando a gente escolhe confiar em uma coisa a gente consome aquilo com muito mais facilidade. E dá para fazer! Dá para começar, tanto se você estiver com seu chefe ali te pressionando para fazer uma pesquisa, que foi o meu caso — não teve nenhuma pressão, mas eu tinha que entregar alguma coisa -, e dá para fazer também se você tem um tempinho, dá para você pesquisar, dá para você se inteirar na área. Então, só jogar para a comunidade aí: a gente espera que a Observe consiga fortalecer isso ainda mais a comunidade, ajudar nessa estruturação, ajudar nessa curadoria, e é uma ajuda, porque existem inúmeras, inúmeros profissionais, inúmeros influenciadores, profissionais influenciadores de pesquisa… Hoje se você jogar no Instagram “UX Research” vai aparecer um monte de gente que fala só sobre isso, vai aparecer um monte de pessoas que estão falando, e é legal ouvir isso tudo. Então eu acho que a gente tem um desafio grande de estruturar todas essas informações e deixar isso de forma mais clara para todo mundo. Eu me coloco super à disposição, a equipe inteira da Observe é super aberta assim, tanto de vir aqui dialogar, conversar, entender um pouco as questões… Tem vários grupos de WhatsApp, não tem um só, acho até que alguém fez alguma pergunta aqui, mas tem vários grupos de WhatsApp por aí, depois a gente pode pensar na melhor forma de comunicar isso também… E a galera que vai entrar na Observe vai ter acesso ao Slack junto com todos os participantes, então a gente também está pensando em uma forma mais direcionada para isso, para ajudar. Deixo contigo, Bru.

Bruna: Legal. O recado final que eu quero deixar é que, não é porque a gente trabalha com pesquisa que a gente tem que ter todas as respostas, pelo contrário, é relembrar que o nosso papel é fazer perguntas, é fazer boas perguntas e é fazer provocações, então sempre que o bichinho da ansiedade diz “vou ter essa resposta? Preciso entregar todas essas respostas? Como que eu mostro o meu valor?”, é lembrar que o nosso papel original é fazer boas perguntas, e acho que seguindo essa linha, admitir quando a gente não sabe alguma coisa ou lembrar que a gente está sujeito a falhas, eu acho que isso nos dá um empoderamento maior do nosso papel de pesquisador e deixa a gente mais tranquilo no dia-a-dia. Então, a minha mensagem seria: procure fazer boas perguntas e esteja atento. Veja o que está acontecendo no mundo, traga referências, leia outras coisas, leia coisas que não tenha nada a ver com pesquisa e com design, tudo isso em algum momento vem para você usar ao seu favor. Acho que os meus grandes conselhos seriam: calma e, puxando sardinha para o evento, a observação é muito importante, então estar atento às coisas que estão acontecendo ao seu redor, e com esse filtro que o Pedro falou, eu acho super importante, então eu acho que no fim, Pedro, as nossas respostas se complementam nesse sentido, que é “estar aberto e filtrar” e estar calmo, porque a gente não vai ter todas as respostas, esse não é o nosso papel, e aqui tem espaço para todo mundo, então usem e abusem da comunidade de UX Research, todo mundo ali está se apoiando para abraçar as falhas e para abraçar as boas conquistas também, pelo menos essa é a nossa intenção. Acho que colocando essa intenção como primordial as coisas ficam mais fáceis. Acho que é isso. Obrigada Edu pelo espaço e pela parceria da Mergo, como o Pedro falou eu acho que foi super game changer para a gente, mudou realmente a nossa perspectiva com o evento e nos ajudou a colocar o valor de acessibilidade em prática, então agradeço muito pelo papel que você também tem na comunidade de UX e por esse espaço que você está dando aqui para a gente mais uma vez.

Edu: Legal Bruna, legal Pedro, muito prazer poder falar com vocês aqui, poder ter esse papo, acho que isso é muito rico para a comunidade, para todo mundo, muito importante isso, conhecimento é uma construção coletiva, então façam parte das comunidades, como a Bruna falou, a gente não tem todas as respostas mas juntos a gente escolhe os melhores caminho, então isso é bem importante. Vamos fazer essa construção juntos. Gente, muito prazer poder falar com vocês, agradeço à Bruna, agradeço ao Pedro, agradeço à Karen, e é isto! Por hoje a gente encerra. Sexta-feira que vem estamos aí novamente para falar mais sobre pesquisa, para fazer mais um esquenta do Observe, e não se esqueçam: daqui a duas horinhas o primeiro lote do Observe vai estar disponível então, como o Pedro falou, vai dando F5 lá na página que já já tem os ingressos lá disponíveis. Galera, muito obrigada, boa noite para todos, se aqueçam, não saiam de casa, lavem as mãos e até mais!

Bruna: É isso aí, obrigada gente! Até mais.

Pedro: Valeu, tchau tchau!

[Fim da Transcrição]


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