Schema: o novo padrão semântico dos mecanismos de busca

Os três maiores mecanismos de busca da web – Google, Yahoo! e Bing – se juntaram na criação de um padrão para prover melhores práticas semânticas na publicação de conteúdos, de forma que sejam indexados com maior precisão e qualidade. Esse novo padrão, o Schema, fornece informações semânticas ao código HTML através de atributos inseridos nas suas marcações.

Alguns questionamentos e discussões surgiram nas comunidades de profissionais que trabalham com webstandards e SEO, algumas pertinentes, outras meio xiitas. Vamos tentar esclarecer aqui algumas delas.

Não é uma iniciativa da W3C

O fato de o Schema não ser uma iniciativa da W3C foi um dos questionamentos levantados.

Devemos lembrar que nem todos os padrões que são hoje geridos pela W3C foram uma iniciativa da mesma. O próprio HTML5 surgiu como uma iniciativa da WHATWG, enquanto a W3C trabalhava na nova versão do XHTML. Posteriormente a W3C se juntou a WHATWG no desenvolvimento do HTML5 e o adotou como um padrão próprio.

A W3C também iniciou recentemente o desenvolvimento de um padrão para interfaces touchscreen, e está usando como base para isso padrões já existentes da Apple. Se assim não fosse, sabe-se lá quando essa iniciativa seria tomada.

A existência da W3C é essencial para a padronização e evolução da web, mas o seu trabalho está longe de ser perfeito. Se a iniciativa da criação de todos os padrões estivessem apenas na mão da W3C, a evolução da web estaria bem atrás do que está hoje.

Todas essas iniciativas que partem de outras empresas e organizações burlam as limitações, burocracia e falta de consenso dentro da W3C, e são de extrema importância para a evolução da web. Se forem válidas, a tendência é que a própria W3C incorpore aos seus padrões, como nos casos citados acima.

O novo padrão não passa na validação da W3C

Alguns desenvolvedores testaram os atributos propostos no novo padrão, e questionaram o fato dos mesmos não passarem na ferramenta de validação de código da W3C.

Sobre isso, a primeira coisa que devemos nos perguntar é: para que serve a validação da W3C? Até onde eu sei, sua função é apenas detectar erros de sintaxe, porem ela não consegue identificar se o código é bem estruturado ou semântico, algo que já comentei anteriormente.

A segunda coisa é que o Schema é baseado no Microdata do HTML5, o que mostra que nada novo está sendo criado, mas sim algo já existente está sendo extendido. Se o validador da W3C ainda não identifica os novos atributos e valores, isso é apenas uma questão de tempo.

Por que não os Microformats?

Outra questão que surgiu foi o porquê, ao invés de trabalhar em um novo padrão semântico, essas empresas não promovem o uso e a melhoria de padrões já existentes como os Microformats, que inclusive já são suportados por alguns mecanismos de busca.

Podemos dizer que o Microdata do HTML5 é mais legível e fornece maior equilíbrio entre extensibilidade e simplicidade do que os Microformats, trabalhando com atributos específicos para fornecer valores semânticos ao conteúdo, diferente do segundo que usa para isso o atributo class. Dessa forma podemos separar os valores semânticos das classes que serão usadas para a formatação no CSS.

Na documentação do Schema é explicado o porquê da escolha do Microdata ao invés do RDF ou Microformats.

Conclusão

Todos temos ressalvas sobre a criação de novos padrões ao invés do uso daqueles existentes da qual já estamos habituados, assim como do surgimento de padrões proprietários no desenvolvimento web, onde temos plena convicção da importância dos padrões abertos.

Sou a favor de que todos os padrões de desenvolvimento web devam ser geridos pela W3C, mas também acredito fortemente na importância de iniciativas paralelas que contribuam com a evolução. Assim como a W3C se juntou a WHATWG no desenvolvimento do HTML5, espero que ela seja novamente experta e oportuna e se junte também a essa iniciativa.

1 comentário em “Schema: o novo padrão semântico dos mecanismos de busca”

  1. No Tableless Conf, um dos caras da platéia te questionou o Schema ser ou não Open Web. Apesar de você ter afirmado que sim, achei que esse artigo responde completamente a pergunta feita aquele dia.

    Muito obrigado pelo artigo.

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