UX Research em Ambiente Ágil — Papo Qualitativo

Como podemos trabalhar as etapas do processo de pesquisa em um ambiente ágil, seja dentro de uma squad executando sprints ou com um time dedicado.

Mulher negra e jovem sendo vista de frente, em um escritório colando post-its cor de laranja em uma parede de vidro.

No último dia 28 de agosto realizamos o terceiro episódio do Papo Qualitativo, mais uma vez como um “esquenta” para o Observe 2020, onde convidei a Rafaela De Souza da Silva (UX Research Specialist na SumUp) e com a Nayra Schall (UX Researcher na Easynvest), ambas da organização do Observe 2020, para falar sobre como podemos trabalhar as etapas do processo de pesquisa em um ambiente ágil.

O Papo Qualitativo tem episódios semanais, todas as sextas-feiras com transmissão ao vivo pelo Youtube e Facebook da Mergo, posteriormente sendo publicados também como podcast e transcritos aqui no blog. Todo esse material pode ser visto logo abaixo.

Bom divertimento 🙂


Para aprender mais sobre pesquisa em design, inscreva-se no curso UX Research da Mergo em https://www.mergo.com.br/ux-research/


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https://soundcloud.com/papoqualitativo/ux-research-em-ambiente-agil-episodio-03

[Início da Transcrição]

Edu: Olá pessoal, tudo bem? Estamos mais uma vez ao vivo aqui com vocês no nosso Papo Qualitativo, que é esse espaço da Mergo para a gente falar sobre pesquisa em design. Estou aqui mais uma vez com a Karen, que está fazendo a interpretação em libras, o meu sinal é esse (faz sinal), óculos-cabelo, e hoje a gente vai fazer mais um esquenta para o Observe 2020, a primeira conferência de UX Research do Brasil, criada inteiramente pela comunidade, o que é uma coisa maravilhosa, e para fazer esse esquenta eu trouxe aqui duas convidadas que estão fazendo parte da organização do evento para a gente falar um pouquinho sobre UX Research em ambiente ágil, como a gente pode trabalhar essas etapas de pesquisa, um projeto de pesquisa dentro de um ambiente que trabalha com metodologia ágil. Então para a gente começar o nosso papo, sem mais delongas, eu vou convidar aqui a Rafa para se apresentar, então seja bem vinda, Rafa.

Rafaela: Oi, eu sou a Rafaela, trabalho como pesquisadora na SumUp, eu estou na Observe dentro da parte de infraestrutura e eu sou formada em design gráfico e publicidade com especialização em UX Design.

Edu: Legal. E vou chamar também a Nayra para se apresentar, seja bem vinda.

Nayra: Olá gente, boa noite, eu sou a Nayra, eu sou coordenadora de gestão da Observe. Hoje eu trabalho como pesquisadora na Easynvest, sou formada em design, tenho pós em neurociência, estou na área mais ou menos desde 2013, o comecinho de 2013, então tem um tempinho.

Edu: Legal. Só para avisar todo mundo, a gente está transmitindo essa live para o YouTube, para o Facebook, então se vocês tiverem qualquer comentário vocês podem ir colocando para a gente e se for relevante a gente traz aqui para frente as perguntas, as dúvidas, os questionamentos, os comentários, para a gente papear em cima disso. O Papo Qualitativo também está disponível em podcast, então posteriormente vocês encontram essa live no Spotify, no iTunes, em todos os players de podcast. Então, vão preparando perguntas, vão mandando para a gente que já já a gente chama para conversar com vocês. Bom, UX Research em ambiente ágil, eu acho que esse é um questionamento que eu ouço bastante, não só nas comunidades mas também dos meus alunos, sobre como a gente trabalha esses processos em ambiente ágil, como a gente trabalha etapas do processo de pesquisa, o próprio projeto em si… Eu passei por algumas empresas que trabalhavam com metodologia ágil, na verdade duas experiências com scrum, e esses times deles trabalham muito bem a etapa de teste de usabilidade, eu falo que o teste de usabilidade é sempre a entrada para drogas mais fortes dentro do universo da pesquisa, essas empresas na maioria das vezes começam pelo teste de usabilidade, tem o seu produto, tem a sua ideia e vai lá dar uma validadinha para confirmar. Mas quando a gente começa a fazer pesquisas mais exploratórias, aquela etapa de discovery, já começa a surgir muita dúvida, as pesquisas mais generativas, em que as pessoas vão explorar, obter informações… Como que eu coloco esse processo dentro de uma sprint? Essa pergunta eu ouço dos meus alunos constantemente, “como que eu boto essa etapa de discovery dentro de uma sprint? Não dá tempo, como que eu faço?”, entre outras questões pertinentes que a gente pode falar um pouco sobre isso. Então, a ideia é a gente puxar um pouco desse papo de como que dentro da nossa experiência a gente tentou resolver esse problema dentro das empresas, que dica que a gente tem, ou que a gente ouviu falar sobre isso, e para a gente começar a jogar a discussão, vamos separar o papo pelo seguinte: a gente tem empresas que têm profissionais mais generalistas, que acabam fazendo todas as etapas do processo, alguns já chamados de product designers hoje, então esses profissionais mais generalistas muitas vezes eles estão inseridos dentro de uma squad, de um time de produto onde eles são designers junto com desenvolvedores, junto com gerente de produto, e eles acabam trabalhando em sprints, aquele ciclo semanal de cinco dias, ou de duas semanas, para dentro desse processo eles sozinhos fazerem todas as etapas e isso envolve realizar pesquisas, isso envolve fazer a ideação, fazer a prototipação, fazer a validação no final… Como que um profissional mais generalista, esse que cuida de todas as etapas, consegue trabalhar essa pesquisa de discovery, exploratória, no início do projeto, dentro de uma sprint? Rafa, qual sua experiência com isso?

Rafaela: Olha, eu acho que independente de ter ou não a equipe de pesquisa dedicada, dentro da sprint, se eu quiser fazer um processo de descoberta um pouquinho mais complexo, até para gerar novas ideias de novas funcionalidades, eu não consigo encaixar isso dentro de uma sprint. Às vezes as pessoas têm sprints de duas semanas, de uma semana, é um tempo muito curto para a pesquisa acontecer, às vezes eu consigo fazer uma etapa da pesquisa nessa sprint mas não toda. Isso fica mais difícil ainda quando a pessoa tem outras coisas para fazer além da pesquisa, o pesquisador sozinho já não consegue, quando a pessoa tem que fazer outras coisas fica mais difícil ainda. Eu acho que isso para acontecer bem, acaba tendo a necessidade de um pouco de foco no operacional, tanto no design OPS quanto no research OPS, que seria a operação de design e a operação de pesquisa, porque isso acaba fazendo com que os processos ocorram de forma mais equilibrada, quase automática, e aí eu consigo fazer isso antes da sprint, seja uma sprint antes, duas sprints antes, dependendo da complexidade da pesquisa, mas precisa que a equipe seja bem alinhada, seja tanto eu saber o que vai acontecer daqui a duas sprints, dependendo da equipe isso não fica tão fácil de saber o que vai acontecer, pra eu poder me preparar e fazer essa pesquisa com antecedência, porque realmente, se eu tiver uma sprint de duas semanas ou, pior ainda, de uma semana só, para eu fazer uma pesquisa de descoberta… Primeiro: não dá tempo, e se por acaso eu fizer alguma mágica e der tempo, o resultado dela não sai em tempo.

Nayra: É, eu entendo que o desafio até, ele pode ser até anterior, de entender… Tem muita gente ainda, acho que a gente melhorou muito já nesse aspecto, mas de muitos times não enxergarem o valor da pesquisa. E quando a gente fala que uma pesquisa tem etapas, que não é só ir lá fazer e já sair gerando resultado e insights, encaixar a pesquisa na sprint fica cada vez mais difícil. Eu vejo pelo time da Easynvest, a gente está numa coisa muito forte de estruturar o research OPS, a parte de operações de pesquisa, e ir entendendo quais são as principais dificuldades deles, e recrutamento é uma que é muito complicada, mas principalmente gerar esses resultados depois, então fazer pesquisa é uma parte que já é difícil de encaixar no tempo, mas analisar os resultados depois e gerar o report ou passar o conhecimento daquilo fica quase impossível de encaixar no tempo da sprint porque é isso, o foco deles não é só pesquisa, tem que entregar um monte de outras coisas, então encaixar, mesmo você fazendo com sprints anteriores, que é isso, precisa de muito planejamento para você conseguir, porque às vezes aparece uma demanda do nada ali que precisa ser entendida, tem a questão de conseguir passar por todas as etapas e conseguir fazer uma pesquisa com qualidade.

Edu: Legal. Você tocou em alguns pontos interessantes, essa coisa de às vezes as pessoas que trabalham com você não acreditam na pesquisa. Eu vejo que conseguir fazer isso funcionar sempre depende muito de uma negociação com o time de desenvolvimento, porque querendo ou não, a sprint de UX está condicionada à sprint de desenvolvimento, uma depende da outra. Quando eu trabalhei na ContaAzul eu tive uma experiência com isso, a gente implementou no nosso time o dual track, então a sprint de design estava sempre antecipada à de desenvolvimento, o que eu fazia em uma semana ia para os devs na outra, só que é isso que a Rafa falou, você não consegue colocar em uma sprint a pesquisa de descoberta, você consegue no máximo, no final da sprint, aplicar um teste de usabilidade se você tiver muita organização para recrutamento no meio desse processo. Sozinho é um processo muito complicado, a Nayra até citou que quando você tem um time de OPS para cuidar disso ainda ajuda um pouco no processo. Mas a gente passou por desafios justamente de convencer o time de desenvolvimento da importância de fazer essa pesquisa inicial, só que sempre tinha essa coisa assim “mas como você vai parar para fazer uma pesquisa anterior às sprints se a gente está esperando você produzir alguma coisa para alimentar a nossa sprint? E se você passar uma, duas, três semanas fazendo pesquisa, com o que a gente vai alimentar a sprint seguinte?”, então eu vejo isso muito forte, de convencer as pessoas do valor, e como que a gente convence as pessoas no time de desenvolvimento, no time de produto, do valor da pesquisa, para que todo o time na verdade, não só quem vai trabalhar com a pesquisa, para que todo o time se organize em função de acontecer uma etapa de pesquisa anterior? Algum palpite de como a gente faz isso?

Rafaela: Acho que essa pergunta é de ouro, todo mundo quer saber…

Edu: É a que eu mais ouço, por isso eu estou jogando para vocês.

Rafaela: Todo mundo quer saber como passar a palavra da pesquisa adiante, como pregar a palavra da pesquisa com o usuário. E é complexo né, porque eu não sei vocês, mas na experiência que eu tive eu pude provar o valor da pesquisa fazendo pesquisa, e aí é quase um ciclo que… meu Deus! Se a pessoa está começando, é um desespero, porque como é que eu consigo fazer essa primeira para eu provar o valor dela para eu poder fazer as próximas? E aí é assim, o que eu consegui fazer até hoje era na raça mesmo, então assim, pensar o mínimo da pesquisa, pesquisa o mais estratégica possível, qual que é aquela meta do ano que está todo mundo se batendo para conseguir e ninguém sabe como, um assunto que é “caixa preta”, sabe? É uma coisa que ninguém sabe, ninguém conhece esse usuário, não sabe nada, então se eu fizer uma coisa muito pequenininha eu vou explodir a cabeça das pessoas com qualquer informação que eu trouxer e fazer isso, cara… Hora extra, pedindo ajuda, ficando muito amiga de alguns Product Managers (gerentes de produto), ficando muito amiga do pessoal de negócios que às vezes não está conseguindo atingir a meta, trazer eles junto também… É o que eu achei que acabou dando certo para provar, porque senão a justificativa de não fazer pesquisa acaba sendo desculpa, assim “a gente não consegue fazer porque a gente é muito ágil”… Não é verdade, isso é uma desculpa!

Nayra: Acho que infelizmente, ou felizmente, isso que a Rafa falou é muito verdade, a gente precisa provar o valor fazendo pesquisa, então a hora que a gente consegue pegar aquele resultado chave que é muito impactante e que se a gente não tivesse o resultado de pesquisa ia influenciar muito negativamente na tomada de decisão mesmo é quando você começa a ter espaço, e acho que isso que você falou também, Rafa, do relacionamento, eu vejo nos times… Hoje eu estou na equipe de pesquisa, então eu não estou dentro de uma squad, de um time multidisciplinar, então é o que eu vejo que acontece dentro dos outros times. Tem time que consegue fazer pesquisa, que já está super consolidado isso no processo, e tem time que sofre muito, que é tudo muito corrido, então a gente está num processo de entender o que acontece com esse time que consegue fazer pesquisa e o que está acontecendo com esse time que não consegue. É só a posição? É só o jeito que o Product Designer se posiciona? O resto do time está comprado com esse resultado de pesquisa? O Product Manager está comprado com isso, em entender a importância e ver valor? A gente ainda, honestamente, não conseguiu chegar nessa solução, mas o relacionamento a gente está vendo que é muito importante.

Rafaela: Antes de vir para essa live eu bati um papo com a agile coach, a nossa treinadora de metodologias ágeis lá na SumUp, a Ana, e eu estava falando de algumas opiniões minhas com ela, vendo as opiniões dela também, porque é diferente a perspectiva do pesquisador e a perspectiva da pessoa que é especialista naquela metodologia, e uma coisa que ela me falou que até abriu meus olhos para olhar para experiências passadas é que tem muito mais a ver com maturidade das equipes do que a metodologia comportar ou não a pesquisa, porque equipes mais maduras entendem como comportar a pesquisa, o que fazer, esse relacionamento que você falou Nayra, já está calibrado, então fica muito mais fácil, e às vezes equipes menos maduras não conseguem por uma infinidade de motivos, e aí como eu falei acaba ficando parecendo que o motivo é porque são equipes ágeis, mas não é esse motivo, o motivo é a falta de maturidade para entender o processo, as entregas, o que precisa ser feito antes, o que é mais estratégico… E aí isso acaba impactando em pesquisa.

Nayra: Sim.

Edu: Acaba sendo muito o problema do ovo e da galinha, eu preciso mostrar o valor da pesquisa mas para isso eu preciso fazer pesquisa mas eu não consigo porque eles não vêem valor, fica essa questão… Eu sempre falo para os meus alunos: a parte mais difícil para vocês não vai ser aprender o método de pesquisa, vai ser convencer as pessoas da importância da pesquisa dentro desse ambiente. E eu falo que não é uma coisa de “evangelizar” pesquisa, o pessoal adora falar “evangelizar pesquisa dentro da empresa”, porque você vira o chato pregando o negócio, e as pessoas não vão aderir a uma coisa que elas não vêem valor, então a não ser que a gente convença as pessoas do valor, elas não vão aderir, e eu sempre vejo que a melhor forma de convencer as pessoas sobre a importância da pesquisa é fazer elas participarem do processo, então incluir ali um desenvolvedor, incluir ali um gerente de produto em um teste, por exemplo, de usabilidade e mostrar para eles o usuário se ferrando tentando usar o produto, ou levar eles como observadores em uma entrevista para fazer eles observarem, verem aquilo funcionando, essa era uma prática que eu tinha bastante, não sei como é a experiência de vocês de fazer isso, de como que vocês conseguem talvez incluir essas pessoas no processo de pesquisa para que elas comecem a se convencer e enxergar valor disso.

Nayra: Na Easy tem um exemplo de um time que começou com uma pessoa de design, o resto do time foi chegando depois, e esse é um time que tem uma das melhores culturas de pesquisa, vamos dizer assim, porque não tinha ninguém, não tinha como desenvolver, então a designer, a product designer teve uma janela ali para começar a entender um pouco, e quem foi chegando ela foi incluindo nesse processo de pesquisa. Então, no começo às vezes é um pouco “vai participar sim! Eu não tenho escolha, eu preciso de alguém, se ninguém se voluntariar eu vou escolher e vai comigo”, mas o que deu para perceber com o passar do tempo é que o time foi se interessando e querendo participar, então chegou um momento na empresa em que eu, enquanto equipe de pesquisa, ia me envolver mais com o time, e uma preocupação deles foi “tá, mas a gente participa da pesquisa hoje, a gente vai poder participar se for você quem estiver fazendo?”, então isso foi legal de perceber que no começo, por mais que no começo pode ser que seja meio forçado de “vão participar sim”, quando eles fazem parte do processo e começam a interagir com o usuário eles vêem valor, então foi um case de sucesso.

Rafaela: Você falou que começou com uma designer, então não tinham outras pessoas, e é engraçado porque me fez pensar, quando eu pensei nas minhas experiências trabalhando com pesquisa dentro de ambientes ágeis, a que eu lembro que rodou mais redondinho foi quando eu entrei muito no início, então o projeto não tinha sido lançado, não tinham clientes ainda, sequer tinham clientes, era muito no começo, o pessoal estava desenvolvendo o plano de negócios, e foi quando eu entrei para a equipe, e aí a gente conseguiu e partir daí ter essa mentalidade desde o começo. Eu acho que isso ajuda muito, porque se o designer chega depois, ele já tem muita coisa para entregar, muita dívida, muito trabalho de antes quando não tinha nenhum designer para fazer pesquisa, nenhum pesquisador, e aí tem essa questão de “temos muitas coisas para entregar e você não pode parar para fazer pesquisa agora”, isso é uma questão, isso vai muito às vezes até da própria cultura da empresa, de quando que eles entendem que precisam de um designer, e as empresas que acabam precisando de um designer mais para o final, ou já têm um projeto, já está na rua… Ou acaba acontecendo também que vão estar olhando mais para a necessidade de telas, e quando você precisa entregar muitas telas, muitos componentes, você não tem muito tempo para fazer pesquisa, é independente de você estar em um ambiente ágil ou não.

Edu: É, isso é fato.

Nayra: Sim. E antes de vir aqui eu conversei um pouco com os designers para entender um pouco das dificuldades de encaixar na metodologia ágil e uma das coisas que uma delas falou é que a grande dificuldade quando você já não chega nesse começo e pega o bonde andando é como quebrar a pesquisa, é um pouquinho daquilo que a Rafa falou no começo, como que eu acho a menor coisinha que eu consigo entender para gerar um valorzinho e aí eu vou engatando um valor no outro até que eu consiga ter esse espaço de fazer uma pesquisa maior.

Edu: Eu sempre digo que esse processo de convencimento parece muito uma tática de guerra. Você não consegue convencer seu time todo da importância da pesquisa, mas você consegue ir conquistando territórios aos poucos, se você tentar conquistar todos os territórios você não consegue, e eu sempre fazia o que: dentro de todo um time… A gente fala, que nem a Rafa falou muito bem da questão da maturidade da empresa e o quanto isso impacta, podemos dizer que a empresa como um todo tem um nível de maturidade mas quando a gente olha dentro de um time a gente tem diferentes níveis de maturidade, às vezes a gente encontra um desenvolvedor ali que tem uma maturidade maior sobre isso, que traz uma bagagem anterior que já envolvia pesquisa, outros não, e aí eu falo que esses são os territórios que a gente tem que conquistar, então normalmente eu vou naquele dev ou naquele gerente que tem uma maturidade maior, que é mais cabeça aberta e eu invisto as minhas forças nessa pessoa, esqueço os outros, “vem você participar de uma pesquisa aqui comigo”, “vem você ser observador”, “vem acompanhar aqui um teste”, e a partir do momento que eu convenço essa pessoa, ela é um território conquistado, ela vai me ajudar a disseminar. Eu lembro que na ContaAzul eu fiz um desenvolvedor participar comigo de uma pesquisa, e ele participou, ele gostou, ele era mais cabeça aberta, e aí tinha aquele momento do dia em que a gente descia para o café, e estavam todos os desenvolvedores na mesa do café tomando café e eu cheguei “e aí fulano, vamos fazer outra pesquisa?” e ele “opa, bora lá, não-sei-o-quê”, e aí os outros falaram assim “você está fazendo pesquisa? Você está virando designer?” e aí ele parou e falou assim “não, eu acompanhei o Edu ali com um usuário e peguei vários bugs, o cara fazendo assim e eu descobri isso e aquilo”, ele próprio começou a vender a pesquisa para os outros, e depois teve um outro que se interessou, um outro… Eu falo que é sempre uma tática de guerra isso, a gente achar o território mais fácil de conquistar e a partir dele ir conquistando outros. Meninas, temos uma pergunta aqui do Pedro, que esteve com a gente no Papo Qualitativo da semana passada, está aqui: “meninas, vocês já foram obrigadas a ‘correr’ com alguma pesquisa para se adequar a alguma metodologia ágil? Já aconteceu algo parecido? Como o resultado foi impactado?”.

Rafaela: (com ironia) Imagina, não! Todas as pesquisas que eu já fiz na vida foram redondinhas, 100%, zero compromissos… Mentira! (risos) A gente acaba abrindo mão de algumas coisas dependendo do prazo que a gente tem… Assim, eu não digo que tenha tanto a ver com a metodologia ágil, mas prazo. O que já aconteceu por exemplo foi ter como se fosse o tempo correto que ela tem que acontecer, então se eu sei que em dado momento as pessoas vão começar a trabalhar em alguma coisa e entregar alguma coisa em uma data, elas vão ter que entregar alguma coisa, então se eu entregar informações para elas ou não, aquilo vai ser entregue, e aí assim, se é uma coisa que você fez, descobriu e não vai ser entregue naquele momento, vai para o backlog, vai ser feito depois, acho que eu vi isso no Facebook inclusive esses dias, é o novo “na volta a gente compra”, fica lá e nunca vai ser feito, então já aconteceu por exemplo, eu tinha teste de usabilidade, eu precisava fazer com 3 perfis diferentes, 5 pessoas em cada perfil, e aí o pessoal ia começar, e eu já estava em contato com o designer que ia fazer aquelas telas e ele estava começando a fazer já enquanto os testes estavam acontecendo, então o que a gente fez foi: eu estou tendo os resultados aqui e eu literalmente ia passando pelo Slack (risos) “olha, esse botão aqui já é a terceira vez que ninguém clicou”, ia passando assim, ele estava lá fazendo e alterando algumas coisas, então assim, super adaptação, não fiz com a quantidade de pessoas que eu queria, então foi bem menos, a gente teve aquelas pessoas que não apareceram como sempre acontece e a gente tinha se programado para ter o dia de reposição, mas não teve, então foi uma quantidade menor também, mas eu acho que foi super bom porque não teve apresentação de resultados, sabe? O resultado estava saindo na hora, direto para o designer, o designer já colocou no protótipo que ele estava fazendo e não chegou a ter versão antes e depois do teste de usabilidade sabe, a versão entregue para desenvolvimento já estava testada porque ali na hora com algumas alterações que ele ia fazer por outros motivos já entrou no teste de usabilidade também.

Nayra: É, acho que a gente tem que tornar nosso processo de pesquisa ágil para além de tentar encaixar ele na metodologia ou na sprint, que é isso que a Rafa falou de a gente faz o que dá e adapta com o tempo. O que eu já vi… Comigo, especificamente dentro do time não acontece tanto porque eu não estou dentro do time, eu estou fora, mas o que eu vejo acontecer com os times na Easy é isso de adaptar, a gente tem um espaço muito curto para fazer então é aquilo, teve bolo? Você só segue, faz com menos pessoas, e o que acaba impactando muito é a análise de resultado depois, porque fica muito da percepção de quem fez, não tem aquele momento de parar e rever tudo para você realmente ter uma análise, uma percepção real do que aconteceu, fica muito com quem tava fazendo a pesquisa foi pegando e acaba seguindo com aquilo e o que pode acontecer é que essa percepção pode estar enviesada, porque quando eu faço uma pesquisa eu estou sempre tentando resolver algum problema, principalmente pesquisa dentro de squad, dentro do time, que normalmente é teste de usabilidade, é teste de validação, então eu estou muito focada em resolver o problema e eu vou estar prestando atenção nesse problema enquanto eu faço o teste, só que durante o teste pode acontecer um monte de outras coisas que seriam muito legais, que a gente poderia aproveitar, só que como o tempo é corrido eu não consigo parar e rever o que aconteceu no teste, então a gente passa só com um mínimo essencial e muita coisa que a gente poderia já ter melhorado com os insumos não é usado, acho que isso é o que fica mais complicado, passar muita coisa que já poderia estar sendo corrigida ou mudada ou substituída ou tirada.

Rafaela: Uma coisa que eu já fiz uma vez numa pesquisa que era um pouquinho mais complexa, que eu acho que um teste de usabilidade é um exemplo até mais fácil, mas eu já tive uma pesquisa que era um pouquinho mais complexa, que eu combinei com o meu gerente da época — ele era gerente de negócios, o design entrou ali, eu ficava junto com o pessoal que vendia, era super curioso — mas o que a gente combinou era que toda sexta-feira ia ter um cafezão da manhã e a gente tinha uma equipe que tinha sempre uma ou outra pessoa que fazia uma coisinha, tipo, tinha um engenheiro que fazia um pão, sabe? Ele fazia um pão na lata de óleo, um negócio específico assim, o outro fazia um patê, e aí a gente combinou do cafezão, e eu não fiz uma apresentação de pesquisa para eles, eu tinha áudios, e só o que eu fiz foi “esse pedaço, esse pedaço, esse pedaço”, joguei tudo nos slides e eu dei play durante o nosso café da manhã. Eu sei que tem vários problemas, claro, imagina se teve uma coisa que só um participante falou, não era representativo de todos, era um comportamento muito fora da curva, mas ainda assim eles ouviram e podem abraçar aquilo e tomar aquilo como verdade, isso é um super perigo, mas ao mesmo tempo, quando a gente fez aquilo e eles puderam ouvir vário áudios de várias pessoas , eu comecei a perceber que teve gente atingida que eu não imaginava, então assim, desenvolvedores iam perceber coisas que precisavam ser resolvidas, engenheiros iam perceber também coisas que eles estavam preparando no backend que não iam dar certo… Mas surgiu a ideia de novos algoritmos, surgiu a ideia de novos produtos, surgiu a ideia de novos potenciais clientes, então eu comecei a ficar bem inspirada em compartilhar pesquisa mesmo antes da análise total, que costuma ser o que a gente faz, analisa, embala, cruza as informações e faz lá uma apresentação bem redondinha, quase como um relatório. E hoje, na SumUp a gente está tendo bastante esse hábito de a própria análise da pesquisa é chamar as pessoas para participarem, então ou faz workshop, prepara alguma coisa, coloca os textos… Às vezes é difícil porque tem uma equipe que, sei lá, metade fala português e metade não fala, mas a gente dá um jeito com Google Tradutor, e isso também encurta o prazo da pesquisa, porque uma pessoa lendo, cruzando, resumindo, vai demorar um pedaço de tempo, agora se a equipe toda está fazendo isso, além de ser rico porque tem toda essa questão de colaboração, tem a rapidez também, então posso fazer uma sessão de workshop onde a pesquisa está analisada com aquela sessão.

Edu: Você falou uma coisa engraçada, o negócio do café, porque a gente fazia o “café com cliente”, a gente chamava, então quando a gente fazia sessões de pesquisa, a primeira coisa que a gente fazia não era nem analisar os dados, era fazer um vídeo de melhores momentos das gravações de entrevista por exemplo, resumia ali em melhores momentos, tipo aquelas falas chave dos clientes metendo o pau, falando alguma coisa… E aí a gente deixava um notebook na mesa do café com um fone de ouvido e um cartaz “Café com cliente — gaste 5 minutinhos ouvindo o cliente na hora de tomar seu café” e aí as pessoas de todas as áreas sentavam e ouviam, e aí é essa coisa que você falou, de pessoas que a gente nem imaginava sendo impactadas, sendo impactadas ouvindo e trazendo ideias, e às vezes as pessoas das mais diversas áreas vinham na nossa mesa “ah eu estava vendo aquele vídeo que você deixou, a gente estava pensando em fazer algo assim, assado, como dá para chamar essas pessoas para falar?” e eu “não, não precisam ser essas, a gente pode chamar outras, dá para fazer assim, assado e levar”. Agora essa coisa de fazer workshop para analisar resultado de pesquisa eu acho que é ótimo porque o maior problema… Eu até conseguia chamar pessoas de outras áreas, desenvolvedores principalmente, para participar das sessões de pesquisa, o que era mais difícil na verdade era pegar eles para analisar depois, normalmente a gente saía para fazer as sessões de pesquisa e no dia seguinte que eu chegava, a minha mesa estava cheia de anotações jogadas lá e eu tinha que traduzir tudo aquilo e entender… Como que você trabalha esses workshops, na verdade?

Rafaela: Olha, não dá para pegar todas as anotações de pesquisa e entregar na mão de quem vai participar, tem um trabalho anterior, mas tem vários formatos. Dá para fazer, por exemplo, as anotações divididas por temas e por pessoas ou personas, dependendo de como a pesquisa for estruturada, e dar tarefas específicas para as pessoas, então assim, a gente coloca tempos específicos onde eu vou ler esse pedacinho que está quebrado já… Se você organiza isso desde o começo fica mais fácil. Hoje, fazendo as pesquisas online por exemplo, eu anoto no Excel e já no Excel que eu vou anotar antes de fazer a pesquisa eu tenho os temas separados, então eu sei que tudo que eu anotar nessas células aqui vão ser sobre um tema específico, então isso também já ajuda na hora de criar o workshop, então eu posso ter os cinco minutos, quinze minutos onde você vai ler as coisas sobre aquele tema que um participante falou e você vai anotar os temas que apareceram ali no meio, agora troca, outro usuário, e as pessoas vão trocando, e daqui a pouco todo mundo passou por todos os usuários, e eu já tenho temas que apareceram e temas que se repetiram dentro de cada um desses temas maiores, então já é uma análise que se fosse eu sozinha ia demorar um tempão lendo, relendo, anotando, codificando, e isso já aparece por cor de post-it por exemplo, e eu também consigo ver outras perspectivas. E aí com esses temas aparecendo eu posso pedir para as pessoas irem… “esse tema aqui que apareceu cinco vezes… Agora seleciona aqui o texto e pinta de outra cor”, e aí também, X horário, X tempo para a gente ir lá, pintar o texto de outra cor, cada subsistema. Era uma coisa que eu já ia fazer, na verdade, eu iria fazer sozinha, mas dessa forma, além de as pessoas me ajudarem no quesito tempo elas estão se envolvendo também, então quando eu falar elas vão estar ouvindo pela primeira vez, elas vão ter ouvido já uma coisa ou outra, então assim, participação não é uma questão do tipo “vou chamar todo mundo, vai todo mundo aparecer”, tem pessoas que gostam mais e que gostam menos de participar desse tipo de atividade, mas nem que seja pelos motivos errados, sabe? Às vezes a pessoas está tendo um dia chato, com um monte de coisa para fazer e ela simplesmente não quer mais responder e-mail e ela entra no workshop para se blindar disso…

(risos)

Edu: O que acontece muito…

Rafaela: Sim, mas super funciona! É por esse motivo, mas a pessoa está lá, está lendo as coisas, está ajudando também… E eu já fiz isso com pesquisadores também, além de trazer as equipes, às vezes tem mais pesquisadores, a gente pode se ajudar também, se não tem como colocar outras pessoas para participarem, ao invés de fazer com uma pessoa só, tem duas, três pessoas que trabalham com pesquisa, às vezes outros designers também, que também dá para dar uma acelerada, mas eu acho que o mais legal é quando tem gente diferente, gente de outras áreas… A gente experimentou com várias áreas já na SumUp, de engenharia ao pessoal que atende os clientes no suporte também, e às vezes eles têm perspectivas super diferentes e aparecem coisas que eu tenho certeza que não iam aparecer se eu estivesse olhando sozinha.

Edu: A principal dica para quem vai fazer workshop: tenham sempre pão de queijo que vocês sempre atraem as pessoas para fazer.

Nayra: É verdade.

Edu: (risos) isso sempre funciona. Nayra, você quer comentar alguma coisa?

Nayra: O que eu estou percebendo dessa conversa é que não é a questão que a gente falou de evangelizar que é mais complicada, porque parece que a gente vai ficar lá explicando o que que é, a gente tem que se vender mesmo, pesquisa é legal, tem valor a gente escutar o usuário e conversar com os nossos clientes, porque tem muita informação ali, o que a gente na realidade precisa fazer é mostrar isso para as outras pessoas para além das equipes de pesquisa, para além das equipes de design, é trazer as pessoas junto e mostrar como é que é. Tudo bem, talvez a gente vá ter um resultado ali, uma análise que tenha um ponto super positivo de outras pesquisas, talvez alguma coisa se perca porque não é todo mundo pesquisador, mas eu acho que o ganho de tornar esse processo colaborativo com pessoas de outras áreas é muito maior, acho que esse é talvez o pulo do gato, é a gente fazer o marketing da pesquisa.

Edu: Sim, sim. Agora, efetivamente, assim, a gente falou dessa coisa da pesquisa na sprint, falou de teste de usabilidade, falou do discovery… Agora efetivamente, como a gente faz o discovery trabalhando em ambiente ágil? Porque muitas vezes você tem um road map, um cronograma que às vezes é definido por quarter, por trimestre ou por semestre ou às vezes, depende da empresa, até anual, e você tem ali um projetinho encaixado no outro, às vezes sem uma grande brecha entre eles, e aí a gente fala: para fazer uma pesquisa de descoberta, a gente precisa fazer anterior a efetivamente entrar nas sprints. Como que a gente faz isso? Vocês conseguiram fazer isso em alguma das experiências de vocês? Como que é o processo?

Nayra: Na Easynvest os times acabam fazendo isso, acho que aí entra a questão de conseguir quebrar e entender qual é a menor pesquisa que a gente consegue fazer… Mas o que a gente acaba fazendo é estudos envolvendo outras pessoas além só do time, do squad, então trazendo esse estudo puxando a equipe de pesquisa para além, a equipe de research mesmo e fazendo uma entrega… E tentando “fasear” a entrega, então em vez de eu começar uma pesquisa aqui, e aí eu faço todo o processo, ninguém vê nada, está tudo fechado na equipe e a gente entregando valor aos pouquinhos, então a gente fez um trabalho grande, não foi dentro de time, mas com a equipe de pesquisa mas com muitos stakeholders envolvidos, então tinha uma pressão de entrega, de ver valor de entregar rápido, o que a gente conseguiu para ter um processo total de pesquisa ali de três meses foi quebrar a entrega, então a gente ia mostrando um pouquinho do que a gente foi validando, começou aqui com entrevistas internas, com especialistas para entender isso, pegava o resultado daquilo que demorou três, quatro dias, apresentava, já criava conversa, e ia deixando muito claro quais eram os próximos passos e ia entregando isso faseado, foi o jeito que a gente conseguiu lá de ter um processo um pouco mais longo com resultados quebradinhos.

Rafaela: Olha, eu já vi três abordagens que eu acho que deram mais ou menos certo. Quando eu trabalhava na Whirlpool eu tinha esse papel de fazer várias coisas ao mesmo tempo, então eu fazia pesquisa, fazia tela, fazia teste de usabilidade, fazia tudo, e aí o que a gente acabou decidindo porque o pessoal trabalhava dessa forma com os clientes de duas semanas foi que, as pesquisas mais longas, então as de descoberta, por mais que fosse uma pesquisa que se eu só fizesse isso ia demorar uma semana, ela podia durar, sei lá, três meses, porque eu planejava ela, planejava todas as atividades, e ao mesmo tempo que eu ia fazendo, fazia uma entrevista, anotava, analisava a entrevista e seguia com a minha semana, fazia um teste de usabilidade, participava de outros rituais, ia desenhando alguns fluxos… Fazia mais uma entrevista. Então aquela pesquisa de descoberta acaba indo lá para frente, super no futuro daquele produto, ela acontecia super devagar e eu conseguia encaixar no meu dia-a-dia, então como ela estava indo muito para o futuro, não tinha problema ela demorar tanto, e as que precisavam ser muito imediatas eu fazia logo. Então para cada encontro que eu fazia, às vezes era com o mesmo usuário, eu fazia o teste de usabilidade que era para a semana seguinte e já aproveitava e fazia as perguntas que eu precisava de descoberta a mais longo prazo, então eu conseguia entregar as duas coisas tranquilo, porque como era um produto que estava no começo também era mais fácil, a gente tinha muita coisa para olhar, tinha um desenvolvimento de negócios já muito bem planejado, então já tinham áreas que o pessoal entendia que seriam abordadas, possibilidades de produto dentro daquelas áreas, e a gente já tinha identificado nas primeiras pesquisas os usuários que iam ser impactados por cada uma daquelas áreas, então ficava mais fácil de fazer esse planejamento. Na SumUp, o que eu tenho visto que tem funcionado bem é juntar oportunidades de pesquisa, então vão estar lá várias equipes, olhando vários produtos diferentes, várias frentes diferentes, e a gente faz um grande planejamento do quartil vendo quais pesquisas que vão ser necessárias, e aí com certeza algumas pesquisas podem ser feitas juntas, ou juntas porque são o mesmo grupo de usuários, ou porque é um assunto muito próximo e tem muita similaridade no que vai ser abordado, então se você falar de um assunto e for para o próximo a pessoa não vai achar estranho, e a gente assim conseguiu otimizar muito a pesquisa, e aí isso também ficou mais fácil, porque a gente consegue ser um pouquinho mais rápido e a gente consegue ter uma visibilidade, porque cada pessoa que trouxe sua necessidade de pesquisa da sua tribo ou da sua equipe são ou os designers de produto que estão lá dentro ou os gerentes de produto também, eles já sabem o que eles vão ter que entregar, então as necessidades que eles levantam são com base no futuro e a gente acaba otimizando isso também. E outra coisa que eu vi que funcionou bem quando eu trabalhava no Original era que lá a gente deixou muito bem equilibrado a questão de operação de pesquisa, então se na primeira pesquisa que a gente fez demorava X tempo, as próximas eram ¼, ⅕ daquilo, porque a gente já sabia, a gente já tinha a lista de usuários, a gente já tinha um processo, a gente já tinha um documento que a gente reutilizava, a gente já sabia qual que era a sala, o e-mail já estava pronto, o e-mail para a empresa de recrutamento já estava pronto, o e-mail para os usuários já estava pronto, tava tudo prontinho já, a gente deixou tudo com um template, tudo pronto, e aí na hora de fazer a pesquisa, em uma semana a gente conseguia fazer uma pesquisa do início ao fim porque estava tudo pronto. Dava o começo na segunda-feira, na terça-feira já tinha gente porque a gente tinha uma empresa de recrutamento que era muito eficiente e já conhecia nossa base de clientes, então a gente fazia essas pesquisas naqueles dias, no final da semana a gente já conseguia ter uma análise porque no próprio dia da pesquisa a gente já ia anotando alguns insights, algumas coisas que iam aparecendo, alguns aprendizados, então ficava muito rápido, não tinha como falar “ah, não vai dar tempo de fazer essa pesquisa”, porque dava!

Edu: Legal. Lá na ContaAzul, eu consegui separar um espaço de pesquisa de discovery, de descoberta, no início do projeto, pegando um gancho de uma demanda interna do time de desenvolvimento, que era justamente a necessidade de refaturar alguns códigos do sistema mais legado que tinha, então veio essa demanda “olha, essas partes aqui a gente vai ter que refaturar”, e aí veio essa coisa de “olha, a gente precisa de tempo para isso”, e eu lembro que surgiu justamente em um projeto que eles iam precisar de duas ou três sprints para refaturar uma parte, então eu aproveitei isso, “vamos ter que fazer um projeto, só depois essas sprints refaturação”, então eu aproveitei para fazer o discovery do projeto que a gente ia trabalhar em seguida, e isso acabou sendo justamente a experimentação que funcionou bem lá, e claro, aproveitei para envolver algumas pessoas na pesquisa, mas isso também envolveu dar alguns nomes ao bois, porque eu vi que o pessoal entendia muito bem quando a gente tinha nomes claros para cada etapa, então eu coloquei lá que quando a gente estava trabalhando dentro da sprint, a sprint de design anterior, para entregar para a sprint de dev, era o “product discovery”, a descoberta do produto, mas que essa etapa anterior de entrar nas sprints era o “customer discovery”, a descoberta do cliente, “então olha, eu preciso primeiro ter um bloco de descoberta do cliente para depois a gente entrar nas sprints de descoberta do produto e desenvolvimento, descoberta do produto e desenvolvimento”, eles acabaram comprando essa ideia, e aí a gente já planejava o road map onde entre um projeto e outro tinha um buraco que era justamente para fazer essa descoberta do cliente e aí os devs aproveitavam normalmente três semanas — às vezes a gente conseguia mais que três semanas, teve um projeto que eu peguei um mês e meio, outro dois meses, mas normalmente eram três semanas que a gente tinha, e aí o time de desenvolvimento acabava pegando ou para refaturar alguma parte do sistema ou para fazer correção de bugs nesse intervalo enquanto a gente fazia a pesquisa, e foi a forma que encaixou lá e que acabou fluindo melhor no time, eu acho que isso… Na verdade a gente tenta descobrir o que funciona melhor para o nosso time, ou para o time em que a gente está trabalhando, acho que não tem uma fórmula mágica de dizer “olha, para trabalhar pesquisa em ambiente ágil tem que ser assim ou tem que ser assado”, até porque está misturada a cultura ágil com a cultura da empresa com tipo de produto e acaba virando um bolo ali que não tem um padrão…

Nayra: Sim. E só para complementar, eu acho que o ideal é que a gente consiga antecipar a pesquisa e pensar em coisas que vão entrar no futuro, mas quando a gente não tem esse tempo, às vezes a gente tem que partir para outras técnicas, então em vez de fazer um teste de usabilidade ou fazer entrevista em profundidade, manda um questionário, trabalha ali direitinho, deixa ele rodando enquanto eu estou fazendo outras coisas… Não dá para fazer um questionário? Central. Central de atendimento é o lugar, eles conversam com o clientes todos os dias! Se a gente, a equipe de pesquisa, a equipe de design acha que conversa com o cliente, a gente não chega aos pés da central, então correr para outras fontes de informação, conversar com outras equipes, PI, Analytics, o que a gente já tem de informação do cliente que a gente consegue cruzar e cavar alguma coisa, porque qualquer pesquisa, qualquer informação é melhor que nenhuma, então trabalhar com o que tem.

Rafaela: Intermediário também. Na maior parte dos produtos sempre tem algum intermediário, ou é um vendedor, ou é um gerente, ou é um consultor, ou é um gerente de comunidade… Se você tiver um relacionamento próximo com essas pessoas também vira um atalho, então se eu não consigo fazer uma grande pesquisa e falar com os usuários finais, pego esse intermediário aqui, falo com dois, três, eles me dão o conhecimento acumulado que eles têm de lidar com os usuários e eu consigo já aprender ali.

Edu: E essas pessoas que trabalham na área de venda, de atendimento, pelo menos dos times que eu tive contato, eles sempre trazem essa coisa de eles terem muitas informações sobre o usuário, sobre o cliente, e isso não ser aproveitado. Lá no ContaAzul eu tinha o hábito de a cada projeto eu fazia uma sessão de cocriação com pessoas da área de atendimento e eles ficavam super felizes de poder trazer o conhecimento que eles têm do dia-a-dia, porque eles falam com os clientes, com os usuários muito mais que qualquer pesquisador, eles falam diariamente, 8 horas por dia, acho que nenhum pesquisador fala tanto tempo assim com o usuário, com o cliente, então eu acho uma fonte riquíssima de informação para a gente aproveitar. Muitas vezes sem tempo, sem possibilidade de fazer algum outro tipo de pesquisa, a cocriação com o time de atendimento sempre rolou muito bem. Tem mais uma pergunta aqui da Stephanie: “Como vocês trabalham o backlog de hipóteses para atacar no próximo discovery?”.

Rafaela: É que tem várias formas né… Eu já fiz pesquisa de descoberta para criar o backlog, que não se encaixaria acho que talvez nessa pergunta, mas era outra forma, porque eu não precisaria trabalhar o backlog de hipóteses para atacar na descoberta porque era justamente uma pesquisa mais ampla de descoberta que criava o backlog da equipe, mas eu acho que quando a gente tem várias hipóteses é o momento de cruzar os métodos, então eu tenho informação que vem mais de onde além da pesquisa que eu vou fazer? A gente falou do suporte das centrais, mas eu tenho redes sociais, eu tenho analytics, eu tenho ReclameAqui, eu tenho a stores, Play e App Store, então se eu olhar para esses lugares eu consigo ver qual hipótese que está ali mais efervescente para eu olhar primeiro, eu acho que isso pode ser um caminho também, mas depende do ambiente da empresa, então empresas onde tem muita competição, por exemplo, muita concorrência, sei que tem algumas empresas que tem um ambiente onde as pessoas concorrem por promoções, por metas, então talvez não seja a hipótese mais confirmada, mas seja a que alguém esteja perseguindo com mais vontade para eu fazer primeiro e mostrar esse valor.

Nayra: Acho que é importante que a gente de pesquisa tente se conectar ao negócio também, então não adianta a gente atacar uma coisa que o cliente está falando, falando, falando, mas não é intenção da empresa resolver agora, ou a gente precisa entender para ajudar a priorizar, então o que que vai ser possível? O que que o time vai conseguir trabalhar em cima e conseguir acionar? Porque não adianta a gente fazer pesquisa para engavetar, então a gente precisa trabalhar o backlog entendendo o que vai ser possível entrar lá na frente, porque isso ajuda a entender qual que é a próxima coisa que a gente precisa estudar e entender melhor. Acho que isso é importante, a gente lembrar de conectar com o negócio, lógico, o time de design, de pesquisa está muito ali para advogar pelo usuário, a gente fala muito disso, mas é importante que a gente esteja alinhado com a estratégia da empresa também, para o valor ser percebido mais rápido. Quando eu escolho o que eu vou investigar porque eu sei que está alinhado com a estratégia da empresa, é mais rápida a percepção de valor e eu gero resultado mais rápido para o usuário, porque é uma coisa que todo mundo está interessado em colocar no ar e o resultado de pesquisa vai ser aproveitado, então acho que isso ajuda muito a organizar o backlog.

Rafaela: Acho que pensar naquele diagrama de Venn, que tem lá “usuário”, “negócio”, a parte técnica, e aí você olhar nesse diagrama, o que está mais ali no meio, então talvez aquela seja a hipótese principal.

Edu: Sim. Pessoal, qual é a diferença que vocês acham de trabalhar pesquisa num ambiente ágil quando você tem um time dedicado de pesquisa e quando você não tem? Tem algumas empresas que tem uma squad só de pesquisadores para trabalhar pesquisa, ou para projetos específicos, ou a nível global… O que vocês acham que impacta mais? O que vocês acham que funciona melhor? Com um time dedicado ou sem um time dedicado?

Nayra: Bom, falando na experiência da Easy, a gente tem os product designers nas squads, nos times e tem uma área de pesquisa, pequenininha mas tem. O que a gente está conseguindo fazer de diferente é: a área de pesquisa fica dedicada à exploração, então geralmente são temas mais cross, que vão ter impacto em mais gente, mais áreas da equipe, e a gente está com um foco muito grande de jogar luz nos problemas, quais são os problemas? O que a gente tem de problema aqui que precisa atacar? E aí quem vai solucionar o problema e vai lá desenterrar e testar solução acaba ficando mais com os times, dentro dos times, eles vão entender como solucionar os problemas levantados. Eu acho que a vantagem de ter uma equipe dedicada é justamente essa de você conseguir ter um olhar mais amplo. Dentro da squad, por mais que o product designer tente, ele não consegue sair do contexto, ele tem que ficar no contexto porque ele tem que ser especialista naquele contexto, e a equipe dedicada consegue ter esse olhar amplo, e às vezes conectar os times, eu consigo entender que o que eu estou estudando aqui tem impacto lá e fazer esse cruzamento, então acho que essa é a principal vantagem, ter esse olhar de cima.

Rafaela: É, eu acho que dependendo da estrutura, eu acho que isso pode impactar também no quanto você consegue entregar, então… Eu dei o exemplo de quando eu era uma “euquipe” e fazia tudo, de alguma coisa você vai abrindo mão, então na época, por eu ter o perfil de pesquisa eu abria mão de UI. A gente usava o sistema do Google e era isso e eu fazia os wireframes e dava certo até aquele período, mas eu acho que quando não tem, essa coisa de não ter equipe de pesquisa dedicada você vai abrir mão de alguma coisa. Eu fico muito triste quando uma pessoa abre mão justamente da pesquisa, mas aí sou eu advogando aqui pelo meu lado, mas eu acho que essa é a maior diferença, então quando a gente tem equipe dedicada de pesquisa, tanto os product designers que estão dentro das suas equipes conseguem se dedicar mais para todas as atividades, então conseguem participar mais dos rituais da sua equipe, conseguir fazer mais exploração, envolver mais pessoas, conseguir trabalhar mais a interface, porque precisa ter esse tempo para fazer um design system, e para o lado da pesquisa, a equipe de pesquisadores consegue fazer pesquisas mais em profundidade, se não a gente acaba com pesquisas um pouco rasas, que respondem muita coisa, vão ser muito acionáveis, têm sua utilidade, mas fica às vezes esperando aquela visão mais a longo prazo ou os assuntos mais em profundidade. Eu vejo muitas empresas às vezes tentarem resolver isso com consultoria, então “eu tenho, mas eu não tenho gente o suficiente, não tenho gente dedicada, então vou fazer esse contato aqui com consultoria e eles vão ser minha equipe de pesquisa contratada”, o que é uma forma de resolver também, mas é diferente essa forma de trabalhar, tendo uma equipe e não tendo. Eu dei esse exemplo de como eu tentei resolver as duas coisas mas com certeza ninguém consegue fazer tudo, tudo 100% e bem feito e sem nenhuma lacuna, você vai abrir mão ou de uma área ou de um pouquinho de todas.

Edu: Eu acho que tem um processo de maturidade aí, porque as empresas com uma maturidade menor normalmente tem o “euquipe”, ou tem os pesquisadores ali dentro de cada time conforme a maturidade vai subindo eu acho que procura-se uma consultoria para mostrar o valor disso, num outro momento vai se criando um time, num outro momento… Vocês acham que vem primeiro um time de pesquisa ou uma cultura de research OPS para organizar a coisa?

Nayra: Eu arrisco dizer que vem primeiro a pesquisa, sabe? Porque eu acho que a gente começa a sentir necessidade do research OPS quando a gente não está dando mais vazão para a demanda de pesquisa, então quando já se percebe o valor da pesquisa e eu estou precisando agilizar isso, então “meu, isso aqui é legal mesmo, a gente precisa fazer mais. Como?” Research OPS. E aí eu começo a pensar em mecanismos de escalar pesquisa, que é quando eu desafogo de todas as formas o pesquisador, então a gente automatiza o que dá para automatizar e torna o processo mais rápido, que foi o que a Rafa falou, de se a primeira pesquisa eu faço em três semanas, as próximas eu faço em ⅕ do tempo porque eu consegui automatizar vários processos.

Rafaela: É, eu acho também que acaba sendo a equipe de pesquisa primeiro, acho que com única exceção de empresas que têm que passar por muita burocracia, então às vezes área jurídica tem muitos impedimentos… Eu já vi empresas que a pessoa tem limitação até de falar com o usuário, não pode falar por algum motivo, eu acho que nesses casos a operação de pesquisa vem antes, porque precisa possibilitar a pesquisa, para fazer pesquisa é tão difícil que eu preciso organizar essa operação para poder fazer pela primeira vez, e daí talvez só então eu consiga trazer uma equipe, mas isso acaba sendo característica de empresa que tem muita burocracia, não necessariamente a empresa mas às vezes até indústria, para conseguir fazer esse contato.

Edu: Legal. Meninas, estamos chegando ao final do nosso papo. Queria que vocês falassem um pouquinho, além de finalizar, além de trazer um recadinho final, falar um pouquinho da Observe. Semana passada os ingressos começaram a vender um pouquinho depois do nosso papo, agora a gente já viu que já está esgotado, é isso mesmo? Não tem mais? Como é que está?

Nayra: A gente está… Realmente… Vendeu super rápido. A gente está muito feliz. Lógico, a gente gostaria que vendesse, mas a gente sempre tem aquele medinho de “vai dar tudo errado, ninguém vai querer”… A gente está muito feliz que vendeu bastante! Estamos estudando a possibilidade de um quarto lote, então o momento agora é de a gente entender a capacidade da Observe, então a gente precisa garantir que o evento vai ser muito legal para todo mundo e que a gente vai conseguir entregar a experiência que a gente gostaria, então o momento é esse. Estamos avaliando a parte de infraestrutura, principalmente, para garantir que todo mundo que… Se a gente vai abrir para mais gente participar, que todo mundo tenha um evento muito bom.

Rafaela: Eu acho que assim, representando infraestrutura aqui, acho que muita gente pode pensar “ah, é online, é só botar gente para dentro, onde entrar um em uma chamada entra dois, entra quinze mil”, mas não é exatamente assim, ainda mais por que a gente está planejando atividades, a gente está planejando algumas interações, então tendo isso em mente a gente não quer abrir mão de qualidade por quantidade, por isso a gente está fazendo esse estudo, para ver se a gente pode abrir mais.

Edu: Legal. Eu vi que ainda tem um lotezinho aqui, o terceiro lote que é o lote exclusivo para pessoas com deficiência, eu vi que vocês colocaram um lote exclusivo para garantir o espaço da diversidade, da inclusão, então pessoas com deficiência nos assistindo aí, ainda tem alguns ingressos lá disponíveis, aproveitem. Meninas, queria muito agradecer a presença de vocês, queria muito agradecer esse papo, queria dar um minutinho para cada uma de vocês dar um recadinho final para a gente se despedir dos nossos telespectadores.

Rafaela: Ah, quero agradecer só o espaço aqui, estou super ansiosa pelo evento, espero que todos aí que compraram ou que estão querendo comprar estejam ansiosos também pela oportunidade que a gente está tendo, como pesquisadores brasileiros, de se encontrar para a gente falar e ouvir o que a gente tem feito e não vir nenhuma metodologia de fora que a gente às vezes não consegue replicar e fica só triste ou que no fim realmente não funciona porque brasileiro é diferente mesmo, cada um tem a sua cultura, então eu estou bem empolgada, e espero que todos estejam também.

Nayra: É, acho que é isso, a gente está muito animado. Acho que um dos principais motivos, o que motivou a Observe é gerar esse espaço de troca entre pesquisadores, que a gente quanto pesquisador sentia muita falta. Um beijo para a organização toda da Observe! Então a gente está muito animado, a gente está conseguindo aparentemente criar essa comunidade e dar esse espaço de troca para que a gente consiga parar de bater cabeça sozinho e trocar e ver o que está funcionando e o que não está, então estamos muito empolgados.

Edu: Muito legal. Primeiramente parabéns, e um beijo para toda a organização também, trabalho sensacional e estamos todos empolgados aí com o evento chegando. Queria mais uma vez agradecer a presença de vocês aqui, um tempinho para bater um papo numa sexta-feira à noite, agora sextou de vez. Queria agradecer a presença de todos vocês que estão nos assistindo, agradecer a Karen por todo o trabalho de interpretação e semana que vem tem mais, sexta-feira que vem a gente vai estar fazendo mais um bate-papo, mais um esquenta do Observe, vamos estar chamando mais algumas pessoas para conversar. Esse papo aqui vai ficar disponível no Facebook, vai ficar disponível no YouTube e também por podcast, vocês acham lá no Deezer, no SoundCloud, acham no Spotify, é só buscar ali para ouvir. Galera, muito obrigada, boa noite e até mais!

Rafaela: Tchau tchau!

Nayra: Tchau tchau gente, obrigada!

[Fim da transcrição]

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