Um guia básico para começar seus estudos em UX Writing

Algumas dicas para você mergulhar na área de escrita para experiência da pessoa usuária.

Três alunas em volta de uma mesa, analisando processos de ux writing através de post-its e uma tela de um celular

A escrita para experiência da pessoa usuária em produtos digitais ganha cada vez mais espaço nas empresas mundo afora. No Brasil, nos últimos três anos, nunca se falou tanto sobre UX Writing e/ou Content Design para auxiliar empresas e profissionais focados em unir design, produto e tecnologia. Neste texto, a ideia é mostrar quais são os caminhos iniciais para entrar no mundo que une UX e escrita.

O mercado de UX Writing no Brasil

Atualmente, vagas em empresas de tecnologia, consultorias e agências de conteúdo deixaram o mercado da escrita UX movimentado. Em uma pesquisa rápida para produzir esse texto, o LinkedIn resultou em 168 oportunidades no Brasil.

Muitas pessoas que atuam nas áreas de redação, jornalismo, publicidade, linguística e até pessoas com outras formações procuram a migração de carreira. Entre os atrativos para a mudança estão: os salários, flexibilidade e oportunidade de crescimento rápido no segmento. Aliás, a procura pelo tema aumentou 81% de 2018 até o momento (setembro/2021), de acordo com o Google Trends.

Segundo o Glassdoor, empresa que calcula salários e monitora vagas, uma pessoa UX Writer, em São Paulo, recebe em média R$ 5.000. No entanto, a plataforma também registra posições de até R$ 11.000.

Gráfico do Google Trends que mostra as buscas pelo termo “ux writing” entre 25/09/2018 e 13/09/2021.
Resultados da busca no Google Trends pelo o termo “ux writing” de 25/09/2018–13/09/2021.
Gráfico que mostra a variação do salários de ux writers em São Paulo, realizada no site Glassdoor.
Busca feita no site do Glassdoor no dia 13/09/2021

A content designer, Camila Martins, reuniu em uma pesquisa dados que complementam e dão visibilidade sobre a comunidade de writers no país. Nela, é possível identificar onde moram a maioria dos profissionais, idade, formação, salários etc.

Print do cabeçalho do post que traz a pesquisa sobre o mercado de ux writing no brasil

Conteúdo é rei

Quando refletimos sobre a relação entre conteúdo e experiência, precisamos revisitar algumas etapas do que é escrever para uma pessoa usuária. Como diria Bill Gates, lá em 1996, quando escreveu um ensaio publicado na Microsoft: “Conteúdo é rei”, e continua sendo.

“Aqueles que tiverem sucesso irão impulsionar a Internet como um mercado de ideias, experiências e produtos – um mercado de conteúdo” – Bill Gates

Naquela época, alguns estudos importantes registrados pelo Nielsen Norman Group em 1994, 1997 e nos 2000, já relacionavam usabilidade, leitura e comportamento. Apesar disso, a maioria dessas pesquisas estavam ligadas ao que chamamos de webwriting: a escrita em blogs, sites de notícias, revistas, SEO e que envolve a compreensão de textos mais longos, com muitas informações complementares (gráficos, fotos, pesquisas e afins). Talvez, essas experiências tenham sido o pontapé da escrita em produto de antigos profissionais de redação e atuais ux writers ou content designers.

Também precisamos falar do que consideramos copywriting. Essa é a escrita totalmente voltada para conversão, campanhas publicitárias, de marketing e vendas. Outra fonte dos atuais uxws, já que muitas das habilidades foram aprendidas nessa área, em social media, entre outras que complementam a escrita digital.

Quer dizer, o conteúdo permanece sendo uma maneira poderosa de auxiliar pessoas em suas jornadas digitais, aliás, desde que unimos design de interface e os textos, um não é possível sem o outro. Porém, é preciso deixar claro que ux writing caminha para outro tipo de escrita.

Podemos dizer que esta é uma escrita para dar instruções, apoio e cumprir jornadas. É quase como se para atravessar a rua, a pessoa usuária tivesse o semáforo para pedestres e veículos feito por designers (com ícones, cores e alertas) e a faixa de pedestres fosse o texto criado por UX Writers. Isto é, são esse profissionais que guiam quem atravessa, para que a chegada até o outro lado da rua seja a mais assertiva possível. Sem a faixa, qualquer um saberia atravessar, só que com essa ajuda, é possível evitar acidentes e chegar ao outro lado de maneira mais fácil, rápida e simples.

Aliás, nem todo mundo pode atravessar a rua sem auxílios sonoros ou a ajuda de alguém, dá até pra gente relacionar essas ferramentas ao conceito de acessibilidade. Também é papel do UX Writer promover uma leitura inclusiva e acessível, diferente dos copywriters, jornalistas e redatores tradicionais. É possível saber um pouco mais desse assunto no texto “Equidade social como resultados financeiros nas áreas de produto e tecnologia”, da UX Writer Patrícia Gonçalves. Outra maneira de “apoiar” a pessoa usuária é na criação de chatbots e centrais de ajuda, entre outras soluções que complementam a experiência.

Por onde começar

Considerando os pontos acima, listamos algumas dicas que podem deixar seu caminho um pouco mais fácil ao decidir entrar para a turma dos UXers. Vamos lá!

1. Entenda mais sobre UX no geral

A parte de UX ou Designer não está por acaso na descrição da profissão. Todo trabalho de escrita é baseado em user experience (experiência da pessoa usuária) para sites ou aplicativos. Isso significa que a construção é fundamentada na facilidade e eficiência de um produto ou serviço.

“O primeiro requisito para uma experiência de usuário exemplar é atender às necessidades exatas do cliente, sem confusão ou incômodo. Em seguida, vem a simplicidade e a elegância. A verdadeira experiência do usuário vai muito além de dar aos clientes o que eles dizem que desejam” – Don Norman e Jakob Nielsen

Esses elementos são complementares de outra abordagem em UX: a usabilidade. Para facilitar a vida de todo mundo, o “tio” Nielsen criou 10 heurísticas de usabilidade, nada mais do que mais critérios para melhorar o desempenho do design de interação. São elas:

1. Visibilidade do status do sistema

2. Combinação entre o sistema e o mundo real

3. Controle e liberdade do usuário

4. Consistência e padrões

5. Prevenção de erros

6. Reconhecimento em vez de recordação

7. Flexibilidade e eficiência de uso

8. Design estético e minimalista

9. Ajude as pessoas a reconhecer, diagnosticar e se recuperar de erros

10. Ajuda e documentação

Além desses princípios, é importante lembrar que essa área é multidisciplinar. Um time de design não trabalha sozinho. Entenda quais profissionais atuam em conjunto:

  • Gerentes de produtos (Product Managers)
  • Pessoa desenvolvedora (Devs)
  • Designers (UX Designer, Product Designers ou UI Designers)
  • Pesquisadores (UX Researchers)
  • Diretor de produto (Chief Product Officer)
  • Profissionais de marketing/growth
  • Analistas de dados

2. Reviste suas habilidades técnicas e comportamentais

Se rolou um encantamento pela área, você investigou os atrativos de trabalhar com uma equipe dessa e adorou saber como pode ajudar as pessoas, tá na hora de ir mais fundo e voltar ao seu passado.

Uma das coisas mais interessantes em UX é poder usar habilidades de diferentes áreas para resolver os problemas e criar soluções. Diante disso, use e abuse de momentos anteriores em que você executou essas habilidades técnicas (hard skills) sem saber, também resolveu problemas atuando em outro escopo de trabalho, resgate isso para e aprenda a “vender seu conhecimento” aos recrutadores.

Outra competência bastante solicitada em UX é a capacidade de trabalhar em equipe de verdade. Dificilmente você fará um trabalho totalmente individual para validar sua escrita e uma coisa puxa a outra… As pessoas também vão precisar de uma conscientização sobre a importância de writing, principalmente, tendo em vista que essa é uma área bem nova nas empresas.

Por esse motivo, na maioria das vezes, a pessoa usuária será o “ouro” do seu processo diário e você vai dar de cara com dois conceitos que aparecem bastante em UX: empatia e alteridade.

Certifique-se de saber e construir uma escuta ativa, estar aberto para ter novas referências e conhecer diferentes vivências que farão parte total do que você aplica no dia a dia. Gosto de pensar naquela expressão: “você não é todo mundo”. Para pensar ux writing, cabe perfeitamente para nós, afinal, cada um usa, lê e compreende um produto ou serviço de diferentes formas.

Isso vai exigir de você sabedoria para lidar com as diferenças, sejam seus pares ou usuários, regras do negócio, saber um pouco de análise de dados, ser criativo, criar documentações para escalar seu trabalho rapidamente, descobrir um pouco sobre a linguagem dos desenvolvedores e por aí vai… Apesar de mesclar comportamento (soft skills) e técnica, diferente de um copywriter, por exemplo, você vai lidar muito menos com o “vender algo a qualquer preço”.

3. Consuma os conteúdos gratuitos disponíveis

Existe muito conteúdo disponível na internet que pode te ajudar a criar mais consciência sobre o que é a área, como é a atuação de quem é UX Writer, como você pode fazer o seu processo de migração de carreira… E para quem quer começar, tudo isso é uma ótima fonte de inspiração e aprendizado.. Ah, muitos dos textos estão em inglês, nada que um tradutor automático não resolva. Aí vão algumas dicas:

  • UX Writing Brasil — a casa da comunidade brasileira de UX Writers
  • Nielsen Norman Group — líderes mundiais em experiência do usuário baseada em pesquisa
  • UX Collective — é uma publicação independente e sem fins lucrativos feita por designers para designers
  • UX para Minas Pretas — uma iniciativa por e para mulheres negras com foco em UX que produz conteúdo da área feito por elas
  • UX Planet — recurso para tudo relacionado à experiência do usuário
  • Mulheres de produto — uma comunidade de mentoria e crescimento profissional para todas as mulheres nas áreas de criação de produtos digitais
  • Ladies That UX Brasil — é uma comunidade global, informal e amigável, feita pela comunidade para a comunidade, e tem como objetivo melhorar a participação feminina na área de UX e Tecnologia

Procure também os blogs dos produtos, muitos times de design brasileiros e internacionais costumam divulgar boas práticas. Confira alguns:

4. Procure diferentes métodos de aprendizado

Essa área tem tanta informação que a gente não tem noção do que fazer primeiro, em função disso, minha recomendação é: varie a forma de consumir conteúdo e ouça diferentes abordagens do assunto. Descubra algumas opções abaixo:

Podcasts

  • UXCopy.co — Conteúdo BR feito por Janaína Pereira e Ariana Dias
  • Cliente Cast carreira de UX Writer — com Isabelli Gonçalves (Especialista em Chatbot no Inter)
  • Papo UX com Cris Luckner (Content Designer no Nubank e professora de UX Writing da Mergo)
  • Clube do UX Carreira em UXW
  • UX Lab — 5 testes aplicáveis — com Bruno Rodrigues
  • Mulheres de Produto com Mariana Lorente (Gerente de Design de Conteúdo na Loggi)
  • Papo de Produto com Caroline Linhares (na época UX Writer no Quinto Andar)
  • Uask — O que é UX Writing? — com Ariana Dias (Content Ops / UX Writer Specialist)
  • Zupcast — UX Writing e Technical Writing
  • Café com Pão de Queijo com Bruno Rodrigues (Especialista em Marketing Digital Estratégia para Gestão Conteúdo)
  • Product Guru’s — UX Writing não é escrever bonito — com Lenka Rejfírová

Livros

  • Redação Estratégica para UX — Torrey Podmajerksy
  • Microcopy — The Complete Guide — Kinneret Yifrah
  • Em busca de boas práticas de UX Writing — Bruno Rodrigues

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5. Participe da comunidade, acompanhe profissionais no LinkedIn e peça mentoria

A comunidade de UX é muito ativa nas redes sociais e principalmente no LinkedIn. Aproveite para procurar os profissionais em seus perfis e peça dicas por ali mesmo, a maioria das pessoas que atuam como designers e writers compartilham muitos conteúdos semanalmente. Também fique atento aos cursos e mentorias, não só de quem atua como UXW, mas também como designer oferecem ajuda gratuita e que fazem muito sentido quando você precisa de dicas mais práticas e direcionadas.

Além das redes, existem grupos no Whatsapp ou Telegram (alguns estão lotados e é necessário conhecer algum membro para entrar). Confira:

Esperamos que a sua jornada seja ótima e que essas dicas te ajudem. Boa sorte!


Quer se aprofundar neste novo mundo e aprender, na prática, a fazer UX Writing de verdade? Então, se inscreva no curso UX Writing, da Mergo, e tenha aulas com a Cris Luckner, uma das maiores especialistas do assunto. É nos dias 09 e 10/10: https://www.mergo.com.br/ux-writing/

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