Qual é o papel das Comunidades de UX? — #DEXCONF19

Painel falando sobre como os grupos de estudos, as comunidades e as associações de profissionais contribuem para a evolução do mercado de UX.

3 homens brancos e uma mulher negra sentados em cadeiras sobre um palco, com uma pequena mesa de apoio e um telão ao fundo.
Karen Santos, Pedro Belleza e Erico Fileno no painel “Qual é o papel das Comunidades de UX?”, com mediação de Andrei Gurgel na #DEXCONF19

Depois de publicar muitas palestras do espaço “Keynote”, hoje começo a publicar alguns dos painéis que aconteceram no “Open Space” da #DEXCONF19, e para começar venho trazer o podcast + transcrição do painel “Qual é o papel das Comunidades de UX?”, falando sobre como os grupos de estudos, as comunidades e as associações de profissionais contribuem para a evolução do mercado de UX. Com participação de Karen Santos, Pedro Belleza e Érico Fileno, mediação de Andrei Gurgel e contribuições da Aline Santos, que apresentava o evento.


https://soundcloud.com/dexconf/qual-e-o-papel-das-comunidades-de-ux

Foto de rosto de dois homens brancos e uma mulher negra sobre um fundo com uma montagem colorida e título do painel.
Karen Santos, Pedro Belleza e Erico Fileno no painel “Qual é o papel das Comunidades de UX?”, com mediação de Andrei Gurgel na #DEXCONF19

[Início da transcrição]

Aline Santos: Agora a gente vai falar de um painel bem legal…

Adriano Schmidt: Painel da comunidade.

Aline Santos: Comunidade! Pedro Belleza, Erico Fileno e Karen Santos. O Andrei é quem vai mediar essa conversa. Gente, Esse painel aqui é para falar sobre o papel das comunidades, como fazer esse conhecimento circular em grupos diferentes, com interesses diferentes e ao mesmo tempo comuns. O que que vocês acham que é o maior desafio de conseguir reunir esses agrupamentos?

Pedro: Bom, obrigado pelo convite, é muito legal estar com vocês nesse evento incrível, que é um evento totalmente voltado para a comunidade, tem essa pegada muito legal… Agora, uma coisa que pode ser uma dificuldade, você tem que ter uma intenção, você tem que pensar sobre fazer isso e você tem que se doar de alguma maneira, quer seja com o seu tempo, na maior parte das vezes, com algum tipo de esforço, e nem sempre as pessoas estão dispostas a abrirem mão do seu tempo, da sua comodidade para fazer alguma coisa acontecer, então a pergunta “qual a dificuldade de fazer as coisas acontecerem em comunidade?”, eu acho que passa muito por isso, uma questão muito… Que talvez a pessoa tenha um individualismo, uma questão de egoísmo, digamos assim, de só querer participar da comunidade para extrair coisas da comunidade. Isso não é participar de uma comunidade, participar de uma comunidade em primeiro lugar é você se doar, é você ajudar essa comunidade a existir, então eu acho que não tem como pensar em comunidade sem pensar, em primeiro lugar, em a gente se doar, em ajudar a comunidade sem esperar no que vai ser dado de retorno. Mas esse retorno existe! Mas a mentalidade tem que ser justamente se doar sem esperar o que vem.

Andrei: Gente, muito obrigado pela presença de todos. Eu queria, antes até de fazer alguma colocação, falar o seguinte, que nós aqui, somos uma comunidade, estamos em torno de um tema, que é o design, e somos parte dessa comunidade portanto, mas eu acho maravilhoso ter essas pessoas aqui para conversar sobre como você pode ser uma gente atuante na comunidade, como você estimular essa comunidade, acho que essa conversa já começou assim nesse sentido e eu acho que é importantíssimo a gente criar multiplicadores ou até defensores dessa comunidade, não é, Pedro? Porque como você estava falando, pode haver uma apropriação da comunidade, e a partir do momento em que nós somos pessoas inseridas nela, atuantes, a gente meio que protege, não existe um dono da comunidade, existem pessoas ajudando ela a acontecer. Erico, fale um pouco da sua experiência sobre criação de comunidades, porque você está lá atrás criando, estimulando essas comunidades…

Erico: Primeiro, boa tarde. Quero agradecer o convite para estar aqui participando do evento. Vou contar um pouquinho… Tem uma ligação, exatamente o que o Pedro falou aqui, a questão de se doar. Eu fiz faculdade de design em Curitiba, fui para lá exatamente pela faculdade e todo o ecossistema de design, só que fazendo design, me formei em design gráfico e nunca me encaixei no design gráfico, sempre me interessei por um design mais digital, e muitas das coisas que eu vim estudando dentro da faculdade não eram exatamente o que eu queria fazer da minha vida… Basicamente na época eu desenvolvia sites, desenvolvia sistemas, e eu comecei a buscar informações, não existia aqui no Brasil, então através da internet eu comecei a encontrar pessoas de livros que eu vinha lendo, mandava e-mail, participava de grupos de e-mail, e aí eu comecei a conhecer pessoas lá fora, pessoas que doavam seu tempo para responder um cara perdido lá em Curitiba, foi dessa forma que eu conheci pessoas que depois viriam a ser pessoas importantes dentro do ecossistema nosso, e um dos caras que me incentivou bastante a criar um ecossistema na sua cidade foi o próprio (Louis) Rosenfeld que na época tinha criado uma rede chamada UX Net, e isso foi em 2003, 2004 mais ou menos, ele falou assim “ah a gente está criando uma rede assim, assado” e eu falei “legal, vou montar um troço desse, o que que eu preciso fazer?”, ele falou “você precisa ter tempo, se doar, achar outras pessoas e organizar coisas que movimentem um tema que as pessoas vão estar girando no entorno daquele tema ali”, então o foco da UX Net era basicamente tratar de usabilidade, que era o que se falava muito na época, e aí a gente começou. Trocava e-mail aqui e acolá e eu comecei a encontrar outras pessoas dessa rede. Foi engraçado, porque eu encontrei uma outra rede chamada “Desinteract”, que o Fred que começou, e eu lembro que eu mandei e-mail e falei “onde você está?” e o Fred respondeu “Curitiba” e eu falei “porra, eu também sou de Curitiba”, aí eu falei “porra, tem uma outra pessoa aqui na mesma cidade”, e aí as coisas foram conectando, e aí exatamente, do Fred chega o Guilhermo, do Guilhermo chega o Horácio, e a galera vai conectando, conectando, conectando, conectando… E uma outra pessoa que me ajudou bastante que também estava nessa UX Net que é o Dave Malouf, ele na época, junto com um grupo de pessoas que participavam de eventos de IHC, eles não se sentiam pertencentes àquela comunidade de IHC porque eles falavam “não, IHC é uma galera mais de engenharia, computação, nós somos designers”, e eles dentro do evento de IHC começaram a se encontrar, e aí eles fizeram uma dissidência do IHC e aí surgiu o IXDA, então assim, a minha adesão em comunidades de design, eu falo que foi uma prototipação com a UX Net mas a minha vida profissional deslanchou exatamente dentro do IXDA, e aí foi exatamente onde eu me dediquei e continuo me dedicando até hoje, então eu abri o capítulo em Curitiba em 2007, do IXDA Curitiba, e eu estou até hoje trabalhando para o IXDA, antes como líder local, já há cinco anos como coordenador regional latino-americano e o meu papel é justamente ajudar outras cidades a criarem os seus capítulos, então tudo passa por doação, ou seja, não recebo nada por isso, todo o meu crescimento profissional se deu exatamente por causa do IXDA. Eu falo isso para as pessoas, engaje, participe da sua comunidade, porque a coisa acontece, porque eu fui conhecendo pessoas, aprendi muito com as pessoas que fui conhecendo nessa jornada toda e eu continuo aprendendo até hoje, e o que é legal é que pessoas que eu conheci lá atrás hoje escreveram livros, dão palestras, são gente famosa e eu falo, o cara… Imagina, o Jon Kolko foi o meu mentor no IXDA em 2006, ou seja, quando os caras montaram, na primeira reunião eles falaram “a gente tem um programa aqui de mentoria”. Imagina, o John Jon Kolko foi o meu mentor, eu tinha reuniões mensais com o cara e hoje ele é quem ele é, então assim, a comunidade é muito forte.

Andrei: E aí eu fico curioso com relação à chegada da Karen. A Karen chegou mais recentemente nessa comunidade trabalhando e percebendo como é que estava a nossa comunidade, Karen, e aí eu acho que você tem um olhar muito valioso. O que é que você percebeu e o que é que você fez em relação a isso?

Karen: Legal. Boa tarde! Meu nome é Karen Santos e eu sou uma mulher negra que chegou na área de UX e percebeu que ela não é diversa e nem empática, que é o que a gente tanto fala. Quem aqui conhece o UX Para Minas Pretas ou já ouviu falar? Legal. Quem aqui conhece o DEX Para Pessoas Pretas? Bacana. No dia 8 de março desse ano o Edu me mandou uma mensagem falando que no ano passado o DEX tinha apenas 2% de pessoas pretas, e que para 2019 isso tinha que mudar, e aí a gente conversando, ele pediu que eu fizesse uma curadoria para que esse ano fosse diferente. Eu, quando cheguei na área de UX, não me sentia representada aqui no palco, nem na platéia, nem nos cursos como aluna, nem como professores. Alguém aqui hoje que conhece o UX Para Minas Pretas se sente representado de alguma forma? Legal. Nós fizemos uma cocriação, então reunimos designers negros, éramos presencialmente 11, eu gostaria de dizer o nome aqui porque isso não foi eu que fiz, mas foi uma união de pessoas, então Aline Santos, Aline Sousa, Felipe Samuel, Huxley Dias, Marcos, Will Matos, Will Ventura, Beatriz Martino, Robson Santos, Bianca Fidélix, Franklin e mais alguns designers que mesmo online ajudaram nessa cocriação. Com isso, a gente refez toda a grade de palestrantes, fizemos um lote afirmativo para que pessoas pretas estivessem aqui, porque não basta a gente dizer que pensa em diversidade, que quer diversidade e não fazer nada para que isso aconteça. (Aplausos) Obrigada. Cuidado gente, meu Tinder está ligado, cuidado (risos). Hoje, nos painéis e como palestrantes, nós temos mais ou menos 16 pessoas entre homens e mulheres, como apresentadores, palestrantes, enfim, no público temos mais ou menos 65 pessoas negras que compraram os ingressos no valor de lote afirmativo, na equipe nós também temos pessoas negras, então intérpretes negros, temos um fotógrafo negro, enfim, tem uma galera que está envolvida, que está ajudando o evento, que também são pessoas negras, isso é extremamente importante, porque a gente cuidou para que a gente se sentisse representado em todos os espaços aqui dentro desse evento, hoje e amanhã. E acho que é muito disso, o DEX me faz pensar o que de fato a gente pode fazer, porque a gente fala muito “qual é o papel do designer?”, “qual é o papel da comunidade?”, “diversidade”, “a minha empresa quer diversidade, tal, tal, tal” e tal tal tal mas a gente fica muito no discurso, acho que a gente parte pouco para a ação, e aí acho que é uma provocação para todo mundo, por exemplo, o DEX fez esse movimento, e não é puxando sardinha do Edu e nem da equipe, mas você Pedro, você acha que é possível fazer isso na UXConf no próximo ano? Nós fomos lá, tivemos 490 participantes e 9 mulheres negras. Então o que que pode ser feito? Quais são as dificuldades das pessoas negras chegarem até os eventos de design? E a gente fala tanto de empatia, mas que empatia que é essa? Aonde a gente está aplicando isso?

Andrei: Deixa eu fazer uma pergunta que se relaciona com isso, então, na verdade é para todos vocês: o que que faz com que vocês dêem o primeiro passo de ação que Karen está falando? O que que motiva vocês a partir para a ação?

Homem branco de cabelo preto, óculos e barba, usando uma camisa xadrez vermelha e preta, sentado segurando um microfone.
Pedro Belleza na #DEXCONF19

Pedro: Legal, ótima pergunta, adorei o que você comentou também, Karen. Eu posso falar um pouco do meu caso, eu trabalho já na área de design há muitos anos e sempre foi um trabalho muito solitário, parecido com o que o Erico comentou, não conhecia muita gente que trabalhava na minha área, na empresa onde eu trabalhei eu era o único designer e fui por muitos anos na empresas onde eu trabalhei a única pessoa designer, então essa inquietação de querer conhecer outras pessoas que trabalhavam com o mesmo ideal do que eu que me motivou, e aí na criação do evento que eu organizo lá em Porto Alegre, uma cidade que não tem tantos eventos como uma cidade como São Paulo, e eu me queixava bastante disso, eu achava ruim, “nossa, que cidade ruim que não acontece nada, é muito ruim aqui”, e comentando isso com um amigo meu, o Tiago, que está por aqui, e ele concordando comigo, e basicamente a gente chegou em uma encruzilhada, em que a gente dizia que tinha duas opções: ou seguir reclamando que era tudo ruim, ou tentar fazer alguma coisa, e felizmente a gente foi por esse caminho…

Andrei: Nasce na inquietação mesmo, de perceber coisas…

Pedro: É. E outra coisa que é importante, porque por exemplo, as pessoas vêem lá o UX Para Minas Pretas, o IXDA, o UXConf como eventos grandes, eles não começaram assim. Faz muito tempo que o Erico está nessa estrada, que a Karen está nessa estrada, faz muito tempo também que eu estou nessa estrada. As pessoas não vêem esse começo. Eu já fiz meetups lá em Porto Alegre que era eu e mais duas pessoas. Três pessoas já é o suficiente para acontecer, e foi muito bom, e foi importante, foi fundamental. Eu poderia dizer “ah, não deu certo”, mas deu certo. Se não acontecesse aquilo eu não teria feito o próximo, e assim sucessivamente, então, você de alguma maneira está inconformado? Eu estava. Ir por esse caminho de “eu vou querer mudar a minha realidade, o meu entorno”, e se doar, porque dá trabalho, e mesmo fazer um evento para três pessoas, o que eu já fiz, deu muito trabalho, na época, em que eu nunca tinha feito nenhum evento ou alguma coisa assim. Foi muito trabalhoso, eu fiquei tenso, meu Deus, perdi o sono com isso, mas valeu a pena, valeu a pena. Então acho que o primeiro passo é você reconhecer que, em primeiro lugar — e eu acho que tem a ver com comunidades, e eu não falei no início — é: ninguém faz nada sozinho. É impossível a gente fazer algo sozinho, nós precisamos das outras pessoas, nós precisamos nos apoiar. É isso que forma uma comunidade, uma comunidade é um grupo de pessoas que está em torno de um ideal, não é só um agrupamento que nem os animais, uma matilha, é uma questão de sobrevivência. Agora, uma comunidade são pessoas que estão em busca de uma situação, uma visão, um ideal, acho que é isso que a gente tem que ter, esse sentimento, e aí partir para a ação. Esse, na minha opinião, seria o caminho.

Andrei: Ótimo, Pedro. E você, Erico, lá atrás, o que que motivou você a partir para a ação?

Erico: É uma junção um pouco de inquietação também, um pouco, isso que o Pedro falou, teve o espelhamento do que já estava acontecendo fora, a união desse pessoal, e a junção de outras pessoas inquietantes que eu encontrei aqui também no Brasil, então, quando a gente abriu o capítulo Curitiba existia BH e Recife, eram os três únicos capítulos do IXDA abertos aqui na América Latina inteira, e a gente começou a trocar figurinha. Eu lembro que a gente conversou para a gente organizar um “dia mundial da usabilidade” em conjunto, um transmitia de lá, outro transmitia de cá, mas era sempre pensando “vamos unir quem já está fazendo alguma coisa”, e começou uma conversa de a gente fazer uma conferência nacional. Na época a gente chamava, seria um evento chamado de “Design e Interação”, e a gente trocando mensagem, e aí em 2008 o IXDA faz um evento mundial chamado Interaction, que acontece até hoje no mês de fevereiro, e a gente falou “porra, é isso, vamos fazer um evento que a gente, fazendo esse evento nacional, a gente vê onde estão esses profissionais”, porque não tinha…

Andrei: Não se sabia, né…

Erico: Não, não tinha… Hoje é mais fácil, em redes sociais você solta o negócio… Então, vamos fazer um negócio em que a gente consiga atrair as pessoas. Aí eu lembro que a gente começou a conversa, mais ou menos nessa época existia o ??? (17:14), aconteceu o ??? em um ano, aí a gente viu que já juntou algumas pessoas, aí a gente falou “opa, vamos fazer”, e aí os três capítulos, a gente decidiu por fazer por São Paulo, e aí foi criado o IXDA São Paulo, o evento aqui aconteceu, o primeiro ISA, o Interaction, e aí foi legal porque a gente enviou, a gente conseguiu a bênção do IXDA, eles falaram “não, beleza, pode usar o nome da marca e tudo mais”, e aí a gente fez o primeiro evento em São Paulo, o segundo a gente partiu para fazer em Curitiba… O primeiro, versão beta total, “ver o que que vai dar”, a gente viu que conseguimos juntar mais de 300 pessoas, partimos para Curitiba para 500 pessoas, a gente conseguiu trazer palestrantes de fora, mas tudo assim, levanta a mão, pede ajuda… Eu lembro por exemplo o de Curitiba que a parte do site quem cuidou foi o pessoal do IXDA BH, a parte acadêmica o Robson que ajudou, e é assim, cada um vai ajudando como pode, é assim, e até hoje. Hoje o ISA virou ILA, ano passado a gente teve quase duas mil pessoas, um evento extraordinário assim em todos os aspectos, tanto é que hoje o IXDA, eles lá fora, eles olham muito mais para a nossa comunidade, a comunidade brasileira de design dentro do IXDA é espelho para eles, então eles vêm participar…

Andrei: O evento ficou maior em número de pessoas…

Erico: Exato, o evento, ILA hoje é maior que o Interaction, a gente ainda não conseguiu atrair a atenção das empresas, então por exemplo, esse ano o Interaction tinha patrocínio de Amazon, Microsoft… É um outro nível, mas, como comunidade por exemplo, a decisão do capítulo, ele é de forma democrática, é votado, ou seja, todo capítulo que está ativo tem direito a voto, o capítulo envia uma proposta, os líderes locais lêem a proposta, fazem a votação, totalmente diferente do que acontece lá fora. Lá é uma decisão muito mais política de “o evento é um ano Europa, um ano Estados Unidos, um ano Europa, um ano Estados Unidos”, e é onde tem mais patrocínio, então por exemplo, esse ano foi em Seattle porque Amazon e Microsoft estavam bancando. Eles lá, eles acham muito legal o formato de capítulo, a comunidade decide onde vai ser, é votado e todo mundo ajuda, então esse ano vai ser em Medellín e está todo mundo ajudando na construção do evento em Medellin, então assim, voltando à pergunta, encontrar pessoas que não têm paciência por esperar que façam alguma coisa, então como eu falei, lá em Curitiba eu encontrei outras pessoas que não só surgiu o IXDA como surgiu o Faber-Ludens, como surgiu uma pós graduação, e daí depois a coisa foi andando, é encontrar pessoas que não têm paciência por esperar, então imagina, lá em Curitiba, “ah, não tem um curso de design de interação”, vamos juntar pessoas que estão a fim e vamos montar um curso de design de interação! Vamos juntar pessoas e vamos fazer um evento! Então assim, a coisa vai acontecendo. Está o Fred, agora que eu vi o Fred ali atrás, mais um “Faber Ludens”, então assim, é encontrar pessoas que não têm paciência por esperar, é ir lá e fazer.

Andrei: Foi isso que aconteceu com você, Karen? Faltou paciência e resolveu partir para a ação?

Karen: Eu acho que, mais do que falta de paciência, é você não aguentar mais não estar nesses lugares, e quando a gente fala de experiência do usuário a gente fala de experiências centradas no usuário, e como é que você pensa nisso sendo que você nunca foi o centro, sabe? Se a gente fala de experiência do usuário, de projetar para pessoas, e não tem pessoas pretas projetando, se somos 5% segundo o Saiba+ no Panorama UX, nós não estamos produzindo, nós não estamos projetando, então primeiro, nós não somos considerados usuários? E segundo, se somos considerados usuários, quem é que está projetando para a gente, sabe? Estão colocando a gente numa caixinha? Porque a gente não consome do mesmo jeito, as pessoas não consomem do mesmo jeito, e aí geralmente é feito produtos e serviços para uma maior gama de pessoas que consomem aquilo de uma maneira, então quando é que a gente vai ser considerado como usuário?

Andrei: cadê o design universal?

Karen: Exato, exatamente. Então, é mais do que a falta de paciência e a necessidade de estar incluída nesse cenário, porque o reflexo disso é gigantesco, e é devastador, não tem como. A gente precisa estar nesses lugares, a gente precisa começar a ocupar esses espaços, não só na parte de design mas também na parte de liderança… E aí eu gostaria de fazer uma pergunta aqui, quem é que trabalha na área de UX, já? Por favor, levanta a mão. Continua com a mão levantada quem trabalha com uma pessoa negra, pelo menos, na equipe. Pode abaixar quem não trabalha com pessoas negras. Continua com a mão levantada quem trabalha com uma mulher negra na equipe. É um número muito pequeno. E é a prova disso, é por isso que o UX Para Minas Pretas acontece, porque a gente precisa estar nesses lugares.

Andrei: Muito bom, Karen, muito bom mesmo. E assim, a gente está aqui também para inspirar pessoas a se envolverem mais, como a gente falou, nós somos membros de uma comunidade e a gente precisa protegê-la, mas de certa forma isso traz um retorno em algum momento pessoal de vocês, e aí eu queria saber de vocês, o que que estimular a comunidade trouxe para vocês?

Pedro: Legal, ótima pergunta Andrei. Só fazer uma outra colocação, que comunidade não é só evento. Comunidade é a gente se juntar com outras pessoas, essas pessoas inquietas que querem um ideal, então um exemplo, e pegando gancho para a tua pergunta, eu já trabalhei em empresas onde eu era designer e descobri que havia outro designer em outro departamento, depois descobri que havia uma terceira pessoa designer no departamento. Ao descobrir isso nós nos juntamos, acabamos criando uma comunidade de design dentro dessa empresa, então aquilo já trouxe um benefício de troca de experiência da prática que a gente estava fazendo e nós ganhamos muito enquanto área, que a partir daí nós começamos a ser reconhecidos, a gente evoluiu e a gente amadureceu enquanto comunidade de design dentro de uma empresa, então isso é uma coisa que já me trouxe muitos ganhos. Bom, um ganho que eu tenho, agora com a parte de eventos, é a questão de conexões, conexões e o conhecimento que a gente obtém a partir disso. A Karen eu conheci com a questão de eventos, o Erico eu conheci em eventos, você, Andrei, eu conheci também em eventos, e hoje nós já fizemos várias parcerias e coisas juntos, e isso é extremamente enriquecedor. Até questões de oportunidades profissionais eu já tive, oportunidades que surgiram no coffee break de um evento. Isso aconteceu mais de uma vez, inclusive, não só de eu acabar sendo contratado, mas como eu também acabar influenciando na contratação de uma pessoa que eu conheci em um evento.

Andrei: Se coloca em movimento, né Pedro?

Pedro: Completamente, e isso só foi possível a partir do meu envolvimento com comunidades, então eu sou muito grato à comunidades, como a IXDA, é um exemplo, a participação nos eventos da IXDA me trouxe benefícios fantásticos, profissionais e pessoais, as pessoas que eu conheço, que eu já comentei. E depois, mais recentemente, organizando eventos, tem toda uma área de saber como criar um serviço, tem a questão de design de serviço, de você aplicar isso na prática, é algo que o evento me trouxe, e assim, gente, pode ser que não exista a comunidade que vocês gostariam de fazer parte, não existia também na minha realidade, quando eu comecei isso, então se não existe vocês podem conversar com pessoas que estão envolvidas e acabar criando a sua própria comunidade e, se existe, se juntem a essa comunidade, e ajudem, e façam parte, e é maravilhoso isso.

Andrei: É isso aí.

Homem branco de cabelo levemente grisalho, óculos e camisa preta, sentado segurando um microfone enquanto fala.
Érico Fileno na #DEXCONF19

Erico: Assim, como eu já falei, a minha vida profissional eu agradeço muito às comunidades que eu participei e continuo participando. Eu hoje trabalho em uma empresa CLT, mas a minha vida inteira eu fui consultor, então eu sempre gostei de trabalhar com consultoria e muito, você precisar estar em movimento, então conhecendo pessoas, aprendendo sempre… Então assim, a participação em eventos, eu vou em todos os eventos que eu puder. Eu até sinto falta, às vezes eu fico cutucando pessoas que participavam antigamente e não vêm mais para o evento, aí eu mando e-mail e falo “porra, você não foi no evento”, “ah não, estou cheio de trabalho”, eu também estou cheio de trabalho, mas é importante a hora que a gente alcança um patamar mais alto dentro da sua carreira você retribuir, porque há cinco, dez anos atrás era você que estava ali correndo atrás dos autores dos livros, perguntando coisas, e hoje você está num outro nível e você meio que vira as costas… Então eu cutuco as pessoas, “tem que vir, tem que trocar, tem que participar da mesma forma”. A minha vida eu agradeço muito, eu tenho total gratidão à todas as comunidades que eu participei de forma voluntária, eu não me enxergo num outro momento se eu não tivesse participado, porque imagina, quando comecei a trabalhar 20 anos atrás eu lia livro, livro em inglês, não tinha nada em português, achar pessoas que faziam a mesma coisa era super difícil, então assim, era juntar um com dois, com três, com vinte, trinta, daqui a pouco tem um evento com 100 pessoas, e as pessoas continuando, continuando, crescendo e trocando, a troca é fundamental para as nossas carreiras.

Andrei: Sem dúvidas. Karen, e você? Eu estou muito curioso também, porque você entrou na área…

Karen: Sim.

Andrei: E eu quero adicionar na minha pergunta de como isso mudou na sua carreira, eu quero saber onde você quer ir, onde você quer chegar.

Karen: Legal. Só complementando, eu acho muito legal na área de UX que, apesar dos cursos e dos eventos serem um pouquinho salgados, a gente tem alguns eventos que são gratuitos, meetups por exemplo, toda semana tem uns 10 eu acho, e isso é muito bacana, e aí quando o Pedro fala da questão de “se você não se encaixa em nenhum grupo”, quando ele diz que a gente deve criar, eu acho que isso é muito real, por exemplo, hoje o UX Para Minas Pretas é voltado para mulheres negras mas eu não consigo abraçar outros grupos, como LGBTQ+, pessoas com deficiências… Uma vez — cadê o Elias? Está aí? O Elias falou “ah, eu vou inventar o ‘UX Para Surdos’ também” e eu falei “por que não? Por que você ainda não criou? Você está esperando o quê?”. Então acho que é bem isso, se você tem um incômodo, se você acha que não tem um lugar onde você talvez se sinta pertencente ou que talvez você não consiga se abrir devido a várias questões, talvez você possa criar esse movimento, e para mim foi muito disso. Eu estou migrando praticamente há quase oito meses, agora que eu consegui uma vaga com a galera do PicPay, cadê o PicPay? (Risos) Eu entro lá como Designer de Produto Jr a partir do próximo mês, e foi bem difícil, porque antes deles eu passei por oito entrevistas — e aí é mais uma provocação que eu gostaria de trazer aqui, que é fugindo um pouco, mas eu volto, que é de quando foi que se perdeu a questão do Jr? Por que é que não tem, ou se tem, são poucas, vagas Jrs? A galera está jogando vaga Sênior e vem para mim “Karen, eu quero muito contratar uma pessoa preta, uma mulher preta, mas que seja sênior”… Gente, se a gente está falando de diversidade, se a gente está falando de colocar na área pessoas de grupos minorizados e que não têm todos esses acessos, como você espera que ela parta daqui para uma vaga sênior?

Andrei: Como é que essa pessoa entra? Como é isso? Realmente…

Karen: Exatamente, exatamente. Então, para mim ainda é tudo muito novo, e aí por ser muito novo e por ter um pouco de acesso eu fiz essa escolha, eu não poderia ter um pouco de acesso e não compartilhar com mais pessoas como eu, e é aí que a minha comunidade se faz, a minha comunidade ela se transforma, e aí não sou eu, não é só a Patrícia, não é só a Aline, não é só a Sueli, somos todas nós e lá nós não falamos só de coisas técnicas, só de UX, nós falamos sobre síndrome do impostor, falamos sobre dores da mulher negra, falamos sobre como ter mais segurança para se candidatar a uma vaga… Que nem a gente falou de ambientes tóxicos aqui, então tem muito disso, não é simplesmente ter a questão técnica ali, saber fazer, mas chegar lá e entender que talvez sejamos a única, a única daquela empresa, a única daquela equipe, e que só saber mexer nas ferramentas não vai ser o suficiente.

Andrei: É incrível como isso também estimula essa proteção da comunidade que a gente está falando tanto aqui, e aí eu queria perguntar a vocês, cutucar vocês num assunto meio espinhoso, mas eu sei que podem haver pessoas interessadas em se apropriar de certas comunidades. Como é que vocês vêem isso? Será que esse estímulo que a gente dá para as pessoas participarem vira também uma proteção à comunidade? Pedro.

Pedro: Infelizmente isso eventualmente pode acontecer, eu acho que vai muito daquela questão de quebrar a premissa básica de participação de comunidade, que é “eu não quero doar nada, eu quero apenas extrair coisas dessa comunidade”, então parte muito disso. Se alguém está fazendo isso, ela de alguma maneira acaba sendo excluída, porque isso é uma questão ética, você está ferindo uma questão ética…

Andrei: Isso não é comunidade, isso é um grupo fechado.

Pedro: Exatamente, então acaba sendo um grupo fechado. Então infelizmente, eventualmente esse tipo de coisa pode vir a acontecer, mas eu acredito que a própria comunidade acaba identificando isso e esse tipo de pessoa que esteja fazendo algo nesse sentido, ela mesma acaba se excluindo por si só, ainda bem, enfim, mas cabe também às pessoas saberem identificar isso, identificar que determinada pessoa está apenas querendo tirar proveito daquilo sem dar absolutamente nada em troca, então ao acontecer isso já quebra essa premissa básica de participação em comunidade.

Andrei: Boa. Erico?

Erico: O que é importante aqui é que a gente lida com pessoas, e pessoas, por si só, são seres super complexos, então lidar com grupos de pessoas tem não só a questão de pessoas que entregam algo esperando duas ou três coisas em troca, mas tem também a questão do ego. Isso é uma coisa que eu, particularmente, procuro escutar muito o que as pessoas falam, então em certos momentos tem horas que as pessoas “Ahhhh”, eu procuro (fez um sinal indicando que sai de perto)… Afasto um pouco, dou um tempo, eu fico me monitorando bastante, sabe? Imagina, eu estou há muito tempo no IXDA, e eu já escutei das pessoas “ah, a IXDA é o Erico”, não, não sou eu… Por exemplo, o capítulo que foi fundado em Curitiba já faz anos que está com outras pessoas, então a gente procura sempre fazer uma rotação. Hoje por exemplo a posição em que eu estou é muito mais uma posição de ajuda ao board que eles têm, mas é um monitoramento constante que você tem que fazer, porque exatamente… Às vezes tem gente que não vêm participar porque “ah, não gosto de fulano”, sabe? Isso acontece. Dentro do IXDA a gente já teve dois capítulos — não foram capítulos do Brasil — onde os líderes locais usavam o capítulo para dar consultoria, então aí você tem que ir lá… E assim, como é uma associação livre, o IXDA é simplesmente você levanta a mão, “quero participar” e vai, se você vai lá para trabalhar e encontra uma pessoa que não é receptiva é bem complicado, então o nosso papel como coordenadores regionais é exatamente sempre ficar intermediando essas relações pessoais. Então o cara quer trabalhar? Vem trabalhar, não tem essa…

Andrei: Estimulando a abertura, né? Que esteja aberto, sempre.

Erico: Exato, porque o IXDA tem essa característica de ser uma associação livre, então você não se inscreve, você não paga nada para estar participando, você simplesmente levanta a mão, “quero fazer”, “então vá lá e faça”. Só que aí sempre acontecem esses choques, então nosso papel é meio que ficar intermediando, ajudando assim as coisas e cada vez somando mais.

Andrei: Como é que você vê esse problema de pessoas que podem se apropriar de comunidades? Isso existe, a gente ouviu aqui dois exemplos. E para você eu ainda adiciono uma pergunta a mais, porque eu sou muito curioso. Na verdade você encontrou um certo ambiente apropriado, não é, Karen? E aí eu queria também falar sobre isso, como isso é nocivo e como você faz para estimular para que esse ambiente se abra.

Karen: Eu acho que o meu entender de apropriação nesse contexto entra um pouco das pessoas dizerem o que não é importante e o que não precisa ser feito. Diariamente eu recebo comentários e críticas de pessoas dizendo que o UX Para Minas Pretas não deveria existir, de que até então deveria ter o “UX Para Minas Amarelas/Japonesas”, enfim, UX para todos, e sim, eu acredito que sim, mas não existe, então eu acho que as pessoas se apropriam, no meu caso, a apropriação de uma fala que não condiz e de um espaço que não os pertencem. E aí, tudo bem, pode ser que tenham pessoas aqui que estão me ouvindo que o que eu esteja falando não faz sentido nenhum, e ok, porque é o contexto em que essas pessoas vivem e que para elas não fazem sentido, só que a comunidade na qual nós estamos formando e para quem a gente fala são para pessoas que fazem sentido, para pessoas quem vêm de um contexto onde não têm acesso a informações, onde não têm muitas vezes a verba para bancar esse evento, para bancar curso, enfim, todas essas coisas, então acho que apropriação no meu caso passa muito por isso.

Andrei: Se alguém quiser falar eu entrego meu microfone, se alguém quiser adicionar alguma coisa. Eu queria também perguntar a vocês… Vamos lá, sejam bem vindos aqui. Eu também queria saber de vocês o que vocês diriam para cada um que está assistindo a gente para que eles se estimulem a estimular essa comunidade, o que é que eles têm que fazer dentro deles para ter esse start inicial.

Pedro: Legal.

Andrei: A gente quer inspirar o pessoal a entrar e também a agarrar um ideal, a fazer e defender e criar a sua comunidade também, a estimular…

Pedro: Perfeito. Assim, eu posso falar muito do que aconteceu comigo, a participação minha em comunidades, não só organizando coisas, mas participando… Isso mudou a minha vida. Mudou a minha vida profissional assim… Drasticamente. Então isso é importante, isso é necessário, ninguém faz nada sozinho, a gente precisa uns dos outros, e só assim que a gente vai crescer. Falando da nossa área, da área de design, mais ainda. A gente trabalha numa profissão que é muito nova, é muito jovem, as coisas ainda estão sendo descobertas, então é muito difícil que a gente consiga de maneira independente, sozinha, evoluir, então se a gente não se juntar com outras pessoas — e aí de novo, não é só em eventos, não é só em conferências, é dentro das empresas, é no bairro, enfim, num círculo de amizade que você já tem, mas tentar puxar essas pessoas, isso é transformador, isso transformou a minha vida, de verdade, então eu espero que esse meu depoimento aqui estimule pessoas que de alguma maneira ainda estão tímidas… “Ah, mas eu vou lá e eu não conheço ninguém”. Cara, quantos eventos eu já fui e eu não conhecia absolutamente ninguém? Fui em evento sem conhecer ninguém e saí sem conhecer ninguém, aconteceu isso no ínicio, tímido, ficava com vergonha, mas daqui a pouco sabe o que acontece? Você vai num próximo, e você vê aquela mesma pessoa que você viu que também não tinha conversado com ninguém, estava na mesma, aí você já tem um motivo para conversar com uma pessoa, e assim vai. Então, você participar de uma maneira desses espaços, espaços aqui, que estão acontecendo nesse momento. Uma dica que eu dou é: não fica andando só com aquele seu colega de trabalho, só com aquele amigo que você veio junto, tentem se espalhar um pouco, não senta junto. Podem sentar junto, mas faz assim, um vai para um lado, o outro vai para o outro, se apresentem, vocês têm um motivo para se apresentar, vocês participam de uma mesma comunidade, isso já é motivo mais do que suficiente para o início de uma conversa.

Erico: Completando aqui o que o Pedro falou, uma das coisas que eu até comentei, essa gratidão sempre para a comunidade assim é a gente entender que nada é perfeito, a gente lida o tempo inteiro com coisas imateriais e mutáveis, ou seja, é você perceber que a coisa está sempre em evolução e assim, encontrar coisas que podem ser feitas. E aí assim, até dando alguns problemas aqui para o Edu, ou seja, coisas que você encontrou aqui na DEX, “o que que eu posso ajudar?”. Procura o Edu, porque a comunidade é construída assim, “ah, não gostei da cadeira”, beleza, o que que você pode resolver? Então é exatamente assim, encontrar coisas, ir lá e fazer, porque a troca, o aprendizado que você vai ter e conhecer pessoas, é muito rico para a nossa profissão, a gente não trabalha sozinho, a gente está sempre trabalhando com pessoas, a gente lida com pessoas, então é um baita exercício a gente ir lá, fazer, conhecer pessoas, se organizar, e entregar algo para a comunidade, é super rico ao final de um evento você ver o que que aconteceu, o que que você entregou e o que que você recebeu dessa comunidade, é muito rico.

Andrei: Karen, por favor.

Mulher negra com cabelos longos e trançados, com camiseta preta, sorrindo, sentada com um caderno no colo e um microfone.
Karen Santos na #DEXCONF19

Karen: Acho que eu tenho alguns pedidos, eu ficaria aqui até amanhã, mas um deles é primeiro que a gente possa compartilhar o conhecimento com o máximo de pessoas possíveis. O que eu gosto na área também, que eu percebi quando eu cheguei, era o pouco de facilidade de encontrar as coisas na internet, então o canal como o seu (UXLAB), galera que escreve no Medium, enfim, acho muito importante principalmente para os Jrs, vou levantar sempre a bandeira dos Jrs aqui, ter acesso a esse conhecimento que é muito importante…

Andrei: Relatem, né Karen? Relatem o que vocês fazem, isso tem um valor para quem está começando que ainda não está na área, que está querendo saber o que é… Quando você faz um relato de um case é sensacional para quem está começando.

Karen: Exato. Porque às vezes serve para uma pessoa que está ali, não sabe muito bem como fazer, acaba encontrando, e né, ok. Segundo pedido, de novo, contratem Jrs, pelo amor de Deus, gente, ajudem! Tenho mais de 300 mulheres querendo trabalhar com UX, então por favor, ajudem a gente! E acho que é isso. Estou à disposição, qualquer coisa é só me chamar.

Aline Santos: Então eu quero aproveitar aqui para encerrar esse painel e fazer mais um comentário: quando a gente fala de UX, a gente está falando de pessoas, sobre experiências de pessoas. Quando a gente fala de comunidades e fala de UX assim, a gente está falando de UX como uma ferramenta de inclusão social, a gente está falando de uma potência para promover a equidade, e aqui eu tenho dois chapéus, eu tenho o do UX Para Minas Pretas e tenho o UXPA, e a gente começou um movimento de ajudar a amadurecer a comunidade inclusive para desconstruir essas romantizações, seja de um patamar super alto do técnico e esquecer que é esse profissional, e esquecer desse que está querendo migrar, de desmistificar o que são esses ambientes, que lideranças a gente quer, de falar isso abertamente a partir dos profissionais e não da nossa visão como coletivo, eu acho que enquanto comunidade isso é fundamental, principalmente se a gente se a gente está falando de pessoas e suas experiências. Gente, eu também ficaria aqui por muitas horas falando sobre isso, porque comunidade é um tema que me move. Então, eu quero agradecer a todos vocês pelas experiências, Andrei, quero agradecer mais uma vez por mediar essa conversa, Karen, Erico, Pedro, muito obrigada.

[Fim da transcrição]

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima