Acessibilidade: o Googlebot é o seu maior cliente cego

O que atrapalha o conceito de acessibilidade na web é a visão tosca (obrigado, publicidade!) do que dizem se tratar “público-alvo”. Como normalmente esse público é definido como meta por alguma tortuosa lógica, os envolvidos no projeto sempre encontrarão justificativa para discriminar quem não faz parte deste seleto grupo.

Assim como todo tipo de discriminação, a coisa não tem qualquer razão calcando. Não se deve criar sites para deficientes de qualquer tipo: devemos criar sites utilizando padrões web, e PONTO. Esses padrões já se preocuparam com a questão da acessibilidade, e a coisa funciona tão bem que tudo que for feito em prol da semântica, já estará sendo adequado também para a acessibilidade.

Independência de dispositivo. Devemos sempre nos preocupar em atingir isto, não importam quais são as possibilidades ou limitações do cliente. Mas, sabemos que não passa de uma bela conversa utópica, sem aplicação prática.

A web não foi criada por gente lá muito burra. Trata-se apenas o pessoal que está descobrindo a “partícula de deus”. Quando fizeram a web, não estavam pensando em seres humanos (ou sua versão degenerada, publicitários). Estavam tão a frente do próprio tempo, que já pensavam em “mordomos digitais”, crawlers que identificariam semanticamente informações pertinentes e a processariam aos seus patrões.

Defender acessibilidade é uma bandeirola politicamente correta, por certo que seja. Mas a web foi feita para um tipo de agente com muito mais limitações: os crawlers digitais. Tudo que se diz estar fazendo para deficientes visuais, na verdade está atendendo estes crawlers.

Hoje, o crawler mais conhecido é, naturalmente, o Googlebot. Atendê-lo adequadamente gerará mais visitas de usuários ao seu site. Mas devemos lembrar que os próprios navegadores são crawlers, ainda refletindo os anos primordiais da web (o campo de URL é tão pré-histórico que ainda funciona com um comando de linha).

Se o pessoal do CERN fizeram certo, com o tempo, ninguém mais navegará na web. Nossos mordomos digitais é que o farão.


Compartilhado originalmente na lista arqHP.

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