3 áreas que complementam o dia a dia de um UX Writer

Aprender sobre design, dados e pesquisa pode mudar o rumo da escrita para UX.

Uma mão segurando uma caneta, desenhando o wireframe de um site, projetando o texto que irá aparecer na tela deste site.
Photo by Kelly Sikkema on Unsplash

Trabalhar com experiência do usuário é ter a certeza de que seus dias não serão iguais. Para quem escolheu entrar na área de UX Writing, talvez seja necessário entender que isso acontece por conta da sincronia do profissional com equipes complementares. Provavelmente, seu dia a dia envolverá pelo menos três delas: o time de design, de produto e de research.

Então, aí vai uma dica preciosa para enriquecer sua profissão: não consuma apenas materiais sobre UX Writing. Quanto mais você souber embasar suas decisões, mais terá espaço para discutir sobre a construção daquele produto e deixará de lado a posição de um mero revisor ou exclusivamente um profissional pontual. Dedique-se a aprender sobre design, pesquisa, produto, dados, growth, acessibilidade, psicologia, inovação, inteligência artificial e por aí vai…

Pensando nisso, nós separamos três áreas que consideramos essenciais: design, dados e pesquisa.

Design

Entender design de produto talvez seja algo obrigatório na rotina de um UX Writer — afinal, esses são os principais pares — da descoberta à manutenção de uma funcionalidade.

Ter proximidade com designers também torna o seu trabalho mais crítico, por exemplo, você pode dizer que um componente não faz tanto sentido com o texto escolhido, opinar e complementar lembrando de outras possibilidades no design system e até relembrar heurísticas na hora de construir a jornada da pessoa usuária.

Design System

Essa documentação é frequente para padronizar e manter a consistência de uma interface, isso significa igualar a inserção de cores, tipografia, componentes etc. Em determinado momento, esses “padrões” incluem microcópias para botões, mensagens de erro, de sucesso, feedback… Por este motivo, é bom ficar de olho em como evoluir o texto em conjunto com esses sistemas de design.

Heurísticas

Como citamos no “Um guia básico para começar seus estudos em UX Writing”, as heurísticas de Nielsen guiam os designers para aperfeiçoar experiências. Durante a construção do conteúdo, é preciso acompanhar: por que eu decido orientar a pessoa usuária para finalizar uma etapa, guiar através dos ícones que vão complementar o texto, se eu obedeço um padrão em outras telas semelhantes, ofereço alternativas para recuperar uma etapa etc. Leia mais sobre heurísticas aplicadas aos apps.

Dinâmicas, metodologias e cerimônias

Estude como aplicar e participar de etapas executadas em equipes de design e times de produto. Você pode aprender sobre:

  • Mapeamento da história da pessoa usuária (User story mapping) — descreve três tipos de ações em diferentes granularidades: atividades (as ações mais gerais), etapas e detalhes (as ações mais específicas)
  • Wireframe — esboço para visualizar o caminho ou fluxo do usuário, layouts de página, hierarquia de informações e até mesmo interações
  • Blueprint — serve para identificar problemas antes que eles aconteçam, mas também a ver o potencial para outras oportunidades
  • Matriz CSD — uma ferramenta feita para dizer quais são as certezas, suposições e dúvidas sobre um assunto
  • Cerimônias — planning (planejamento das entregas de acordo com as OKRs), critique (quando os designers apresentam a primeira versão para receber críticas do time), review (revisão para fazer os últimos ajustes antes do lançamento do produto/funcionalidade) e retro (retrospectiva do que aconteceu e pontos a melhorar)
Mulher em frente ao notebook, digitando
Imagem — Freepik

Pesquisa

A área de UX Research é uma das mais complementares de UX Writing. É a partir dela que é possível validar a construção das experiências. Isso não quer dizer que você precise de um time enorme de pesquisa para começar a aprender sobre o assunto. Apesar disso, é necessário treinar o seu olhar para elementos importantes.

A pesquisa quantitativa, por exemplo, busca traduzir resultados baseados em números. Pode ser a percepção das pessoas usuárias sobre qual tipo de texto é mais compreensível, como elas completariam uma frase em determinada ação ou até mesmo qual a relação daquela palavra com um tema específico etc.

No caso da pesquisa qualitativa, o objetivo é ter resultados que destaquem a opinião da pessoa usuária, ou seja, o número de entrevistados é reduzido. São buscas de caráter exploratório e podem trazer resultados, tal como, o caminho feito por alguém até finalizar uma jornada de uma funcionalidade e os motivos daquela escolha.

Essas pesquisas também podem ser atitudinais (quando você ouve o que os usuários dizem, por exemplo, em entrevistas) ou comportamentais (quando você vê o que os usuários fazem usando estudos observacionais e até mesmo em locais de moradia, trabalho ou entretenimento).

Também é comum realizar desk researches, quando utilizamos buscadores (Ubersuggest, AlsoAsked, Google Trends e Answer the Public), avaliações no Reclame Aqui, redes sociais, notas e comentários em lojas de aplicativos etc.

Lembre-se: um bom planejamento de pesquisa já é um ótimo início para clarear suas ideias. Classifique e defina suas hipóteses, objetivos, metodologias, perguntas principais e até um cronograma de entregas para deixar sua pesquisa mais eficiente. Apesar de não ser assim em muitos times de pesquisa ux, a independência, autonomia de execução e um bom guia de pesquisa aceleram descobertas.

Dados

A primeira questão para entender a análise de dados é saber que, necessariamente, você não precisa ter uma equipe nessa área para coletar insumos estatísticos. Apesar disso, em grandes empresas é possível acompanhar, por exemplo, profissionais de Customer Insights que mapeiam o comportamento da pessoa usuária.

Os materiais importantes e complementares para uma escrita ux podem ser:

  • Contact rate (taxa de contato) — número de contatos, ligações telefônicas, interações via chatbot e e-mails enviados pelas pessoas usuárias ao atendimento
  • NPS (Net Promoter Score/nota média de indicação) — medição do grau de satisfação do produto
  • Acessos aos artigos de uma central de ajuda/FAQ
  • Tracking — monitoramento de ações de uma funcionalidade (entrada e saída do app, tempo na tela, taxas de conversão etc), que geralmente é feito por analistas de dados e/ou Product Managers em ferramentas como Tableau, Power BI, Looker, Mixpanel etc
  • Social Listening — análise das mídias sociais para computar a popularidade da marca

Agora que você já está por dentro dos setores que farão diferença na sua rotina, é só praticar e procurar conteúdos que vão fortalecer seu aprendizado.


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